24 de Setembro de 2021 | Coimbra
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JOÃO PINHO

Nota de Rodapé: Coimbra e o ilusionismo de Natal

7 de Dezembro 2018

Vivemos, meus amigos, num país rico e numa Coimbra ainda mais rica do que poderíamos à partida supor. Na semana passada ficámos a saber que o Município se prepara para gastar 350.000 euros nas festas de Natal e Fim de Ano, com a particularidade de ser a municipalidade que em termos de luzes e festas de Natal acusa, no todo nacional, um dos mais espetaculares aumentos; de 34.000 euros em 2017 para 92.000 em 2018.

Nada de novo se visto à lupa do que se tem feito por todo o país desde que as políticas públicas se associaram a um capitalismo selvagem, temperado pelo materialismo e consumismo. É o insolúvel problema dos “ismos” no mundo – o qual raramente é sinónimo de bonanças – em conexão íntima com o populismo que vai medrando segundo a máxima romana do “Pão e Circo para o povo”.

O exemplo de Coimbra é paradigmático do desperdício: não constitui investimento pois não acarreta retorno algum para além de uma hipotética satisfação do povo e promoção eventual da marca Coimbra – apesar da utopia do discurso e da previsível manipulação dos números, com que nos habituámos a conviver em Democracia. Como todos bem sabemos, quando retiramos as palas do seguidismo político, Coimbra não terá hipótese alguma em termos de afirmação regional. Está sitiada pela falta de ideias e rodeada de boas iniciativas emergentes de municípios mais funcionais, que têm conseguido semear bons eventos culturais: desde a tradição do Presépio de Penela à nova iniciativa no Castelo Mágico de Montemor-o-Velho, passando também pelo evento Cidade Natal, na cada vez menos distante Guarda.

Preparamo-nos, pois, para mais um momento de ilusionismo na sequência do já famoso número Novo Aeroporto Internacional: uma cidade aparentemente rica, abrindo cordões à bolsa rumo à efemeridade do presente contínuo. Incapaz de unir, uma vez mais, a Cidade com a Universidade, o Município com as Freguesias, as associações e Instituições em torno de um ideal comum, de um desígnio, nem que breve fosse – o de Natal.

Metade da verba, no mínimo, seria bem empregue noutros setores, como formação, educação e cultura, envolvendo História, Memória e Identidade, ou então no apoio social e económico a tantos desfavorecidos para quem o Natal não passa de uma mera possibilidade.

Coimbra é, cada vez mais, não a velha lição mas uma renovada ilusão.


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