21 de Junho de 2021 | Coimbra
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JOÃO PINHO

Nota de Rodapé: Batoteiros

16 de Novembro 2018

«As leis morais são as regras de um jogo no qual todos fazem batota, e isto desde que o mundo é mundo». [Jean Cocteau, poeta, romancista, cineasta e dramaturgo francês, 1889-1963]

A batota é um nome feminino, de origem obscura, que significa o não cumprimento das regras de um jogo. Tem como objetivo ganhar, usando da aldrabice, engano, burla, não respeitando assim as regras previamente estabelecidas.

Foi este o expediente, aparentemente, usado pelo deputado Silvano, para registar o seu nome na lista de presenças nas reuniões plenárias parlamentares enquanto passeava pelo país. Falo em aparência pois parece que a deputada Emília, num gesto de grande solidariedade, amizade ou inadvertência (alguém acredita mesmo nesta tese?) lhe fez o favor de assumir a responsabilidade por tal ato, para assim introduzir a password salvadora.

As conferências de imprensa dadas pelo duo, em dois momentos diferentes, evidenciam o estado de avançada deterioração das funções políticas, onde se pressente o cheiro da promiscuidade e do “salve-se quem puder”. A deputada eleita pelo círculo de Viana do Castelo afirmou ao país, com a maior naturalidade, que tinha de facto a password «…de alguns colegas de quem sou muito próxima, tal como eles têm a minha. Faz parte da vida de muitas organizações», afirmou, justificando o comportamento como forma de «…outros deputados e vice-versa, terem acesso a documentos e ficheiros de trabalho guardados nos respetivos computadores». [SIC Notícias, 09.11.2018]

Em aparente (ou conveniente?) contradição, Silvano, na sua primeira declaração pública sobre as falsas presenças nas reuniões plenárias – sem responder a perguntas dos jornalistas – afirmou de forma taxativa que não tinha «…autorizado ninguém a utilizar a sua password – pessoal e intransmissível – para registo de deputados no hemiciclo do parlamento» anunciando também desejar que a Procuradoria-Geral da República investigue o caso.

Em princípio tudo ficará em águas de bacalhau. Nos bastidores controlar-se-ão os efeitos colaterais do show-off aguardando-se que outro escândalo, fresquinho e tirado da cartola pela imprensa sensacionalista, rebente nas mãos de novos protagonistas.

Nada de novo, portanto. A política continua a refletir o jogo de aparências onde reinam muitos batoteiros: nem que um seja Secretário-Geral do maior partido da oposição governamental e outra uma jurista de profissão…


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