23 de Junho de 2021 | Coimbra
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ANTÓNIO CASTELO BRANCO

Necessidade, a quanto obrigas!

7 de Dezembro 2018

Não se trata de uma denúncia, longe disso! Trata-se antes de uma constatação, que leva a refletir quem se vê envolvido neste problema, e como, ao olharmos para o lado, verificamos as centenas de pessoas que são obrigadas a prevaricar diariamente. Falo do estacionamento que acontece em redor do Hospital (HUC), um estacionamento que legal ou ilegal tem necessariamente de acontecer. E toda a gente sabe porquê: são doentes que têm de estar logo pela manhã nas consultas, tratamentos, ou noutros tipos de intervenções e são confrontados com uma ausência de estacionamento tal, que não lhes resta senão, a eles ou a quem os acompanha, deixar as viaturas em cima dos passeios, das rotundas, nas curvas, nos locais onde as placas o proíbem, em tudo quanto é buraco, ainda que as rodas fiquem no ar. E tudo isto acontece, sabendo aqueles penitentes que se tornam infratores a partir da altura em que optam por tais situações, mas não lhes restam alternativas. Doutra forma, a hora da marcação passa, o doente que é transportado não pode deixar de ser acompanhado por quem o conduz e muito menos pode ser levado às costas a partir de um parque de estacionamento que fique longe!

Há dias, ouvimos a estória de uma família provinda de Fornos de Algodres, que às oito e meia devia estar nas consultas externas. Foram três pessoas que vieram no carro, uma a mais, por via de ir mudando o carro durante toda a manhã, para não trancar os outros. Doutra vez, era um homem dos lados de Águeda, que nos perguntava na Avenida Fernão de Magalhães, onde era a Polícia Municipal, pois dias antes, ao ter vindo a uma consulta ao hospital, e não havendo estacionamento, deixou o automóvel, ao que viemos a apurar na circular externa, e no seu dizer não em cima do passeio mas em terra batida a seu lado. No regresso, tinha no para-brisas um papel para identificar o condutor da viatura, pois estava em transgressão. Lá lhe indicámos o caminho, para a Avenida Sá da Bandeira, que ele viria a palmilhar a pé. Mais tarde, na respetiva esquadra, quisemos saber como isso acontecia: que tal identificação se justificava pelo facto de muitas vezes os carros não estarem em nome de quem os utiliza e daí a necessidade de saber a quem tem de ser imputada a coima, mas que não era preciso o condutor vir pessoalmente, pois podia preencher a dita notificação e enviá-la, e que seria, a partir daí, que a multa seria passada. E ficou-nos a interrogação desta forma de atuar!

Resta-nos a sugestão e o apelo, a quem quiser ver para crer, e constatar o caos por ali instalado, que culmina na tal prevaricação em redor dos HUC, uma prevaricação que tem a ver com a necessidade dos utentes e que carece de uma resposta muito para além do prometido aeroporto.


  • Diretora: Zilda Monteiro

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