6 de Maio de 2021 | Coimbra
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JOÃO BAPTISTA

Nas Margens do Ceira

19 de Outubro 2018

Como largamente tem sido noticiado o distrito de Coimbra foi o mais fustigado pela tempestade que assolou o país. Os prejuízos são, para já, incalculáveis e estendem-se por diferentes áreas entre as quais o fornecimento de eletricidade é o mais relevante.

Esperemos, céticos como os políticos nos habituaram a ser, que em face desta calamidade, para esta região sejam disponibilizados os meios que permitam resolver tantos problemas.

E este ceticismo que é partilhado por muitos milhares de pessoas tem pleno e cabal cabimento face ao desprezo com que Coimbra continua a ser votada por quem nos (des)governa nas diferentes áreas do poder.

Fala-se em obras importantes mas despreza-se a intervenção naquilo que é essencial para um bom nível de vida da população. Pensa-se num aeroporto internacional para Cernache e esquece-se o miserável estado a que chegou o leito do rio Mondego, muito especialmente na foz do afluente Ceira.

Eu, enquanto puder, não me cansarei de referir aquela situação caótica em que se encontra um local que foi em tempos um aprazível espaço de veraneio e que hoje é uma vergonha para quem pelo assunto é responsável. Se, evidentemente, vergonha faz parte do seu ego.

O Presidente da República tem visitado algumas praias do interior. É bom que o faça pois a sua presença contribui para dar conhecimento de algo de bom que se tem feito. Mas, Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, daqui lhe deixo o apelo que venha visitar o local a que estou a referir-me. Venha observar diretamente o que por incúria se deixou degradar e como se está a desprezar um sítio magnífico com que a natureza dotou o concelho de Coimbra e que por teimosia, desleixo ou má vontade se deixou chegar ao ponto em que se encontra.

Tomo a liberdade de citar Sansão Coelho na sua última crónica “O DESPERTAR que se bate por CAUSAS nas quais não há interesses pessoais de quem aqui escreve mas apenas o sublime e SUPERIOR DEFESA DOS INTERESSES DE TODOS OS NOSSOS CONTERRANEOS”.

É dentro deste são princípio que este jornal defende há mais de cem anos que não calo a minha revolta perante várias situações. E, a talhe de foice, aqui deixo de novo uma referência ao facto de o Município de Coimbra não construir, como é da sua exclusiva responsabilidade como me informam, a parte que lhe cabe na variante projetada e em parte efetuada no troço que de Vendas de Ceira descongestionaria o trânsito para a Freguesia de Almalaguês e concelhos de Miranda do Corvo e Lousã.

Foi um projeto concebido aquando das obras de instalação do Metro Mondego. É uma maneira de a Câmara Municipal de Coimbra mostrar à evidência que também não está interessada em resolver o problema ferroviário. Que melhor maneira haveria de demonstrar o contrário de tivesse realizado a obra tão necessária que a si lhe compete?

Não quero, por hoje, alongar-me. Mas terminar sem agradecer a Sansão Coelho, neste mesmo espaço, as palavras amigas com que a sua benevolência se me referiu seria ingratidão. Muito obrigado. Temos em comum a amor por Coimbra. Onde nascemos. Onde vivemos. Onde estudámos. Onde exercemos funções profissionais… Onde, não obstante as acentuadas diferenças de idade, nos ligou uma pessoa que recordo com muita saudade. Luciano Marques dos Santos, Grande conimbricense que em muitas áreas de atividade lutou por Coimbra com verdadeira paixão. Onde o seu União de Coimbra fazia parte da sua família. E lembro que no jornal de “Sempre Fixe”, seguramente há sete décadas, se dizia certa vez na secção “ Arrufadas de Coimbra”.

“Homem nascido e criado / Nesta cidade de Encantos/ É hoje homenageado/ O desportista afamado/ Luciano Marques dos Santos”.

Bons tempos. Desta Coimbra maravilhosa. Que é uma saudade permanente.


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