16 de Setembro de 2021 | Coimbra
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JOÃO BAPTISTA

Nas margens do Ceira

10 de Setembro 2021

Quando a vida já vai longa viver de recordações é uma maneira de ocupar o tempo. Dentro desta linha de pensamento são, muitas vezes, as notícias do dia a dia a fazer voltar aos tempos passados e, muitas vezes, a compará-los com a atualidade.

Vem isto a propósito da época de eleições autárquicas que decorre. Como há tempos aqui escrevi fiz parte, em 1997, como independente, de uma lista do Partido Socialista concorrente à Junta de Freguesia de Ceira.

Dessa experiência no Executivo da Junta de Freguesia guardo recordações de variada natureza que me permitem estabelecer um paralelo, com as devidas proporções, com o panorama atual .

Nas listas que atualmente se encontram em causa, em todas elas, tenho pessoas amigas, que muito respeito e a algumas me unem laços de fraterna amizade.

Mas é implícito que, numa situação como a atual, se procura fazer uma avaliação ao trabalho produzido nos últimos anos se, como é o caso, se trata de uma recandidatura.

Ora, se é certo que esta fase de continuidade não a vivi, por vontade própria, o certo é que me sinto em condições de poder falar das dificuldades que um autarca de freguesia sente quanto ao desempenho do seu cargo. Por coincidência vivi na dependência duma Câmara Municipal com igual presidência. Avalio, pois, como terá sido difícil lutar por Ceira, por uma Ceira que todos os ceirenses de boa fé, desejam progressiva em cada dia que passa. Mas não tenho qualquer espécie de dúvida de que os autarcas que agora vão terminar este mandado terão feito tudo para conquistar o melhor para a freguesia. Mas não me restam dúvidas igualmente que o seu trabalho, a sua dedicação, o seu entusiasmo não foram suficientes para ultrapassar situações, na dependência do beneplácito municipal, que só surge na época julgada conveniente.

Deste modo é natural que aos olhos da população possa surgir a imagem duma falta de progresso desejável, mas essa falta, essas lacunas, não são da responsabilidade direta dos autarcas locais mas sim duma legislação que coloca nas mãos dum responsável municipal as decisões que só toma quando entende por conveniente.

O nosso jornal tem dado a palavra a muitos presidentes de Junta de Freguesia do nosso concelho. Chamou-me, particularmente, a atenção a entrevista concedida pelo Presidente da UF de Souselas e Botão. Objetiva, sem rodeios, definindo as situações pelos seus verdadeiros nomes, não tendo dúvidas em acusar quem, no seu entender, é o responsável por muitas das situações que enfrentava.

Aquando da minha passagem pela autarquia ( mais uma recordação), tive a possibilidade de conhecer ainda melhor os problemas desta terra que adotei como minha há sessenta e seis anos e trago à memória as dificuldades vividas perante quem obstinadamente teimava em só seguir a sua linha de pensamento e tomar as decisões a seu belo prazer.

É por isso que entendo que, não se devem fazer julgamentos precipitados sobre aqueles que, tenho a certeza, deram o seu melhor mas foram impotentes para, tal como há mais de vinte anos, lutar contra a prepotência e a demagogia.

Quem seria capaz de fazer melhor? Nestas condições penso que ninguém. O dia das eleições está próximo. Que todos os ceirenses se unam em defesa do melhor para a sua terra.

Mas oxalá seja possivel que Ceira não continue a encontrar, na sua ânsia de merecido progresso, a tenaz resistência do posso, quero e mando.


  • Diretora: Zilda Monteiro

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