24 de Setembro de 2021 | Coimbra
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SANSÃO COELHO

Museus: Lanifícios e ferrovia

13 de Setembro 2019

Julgo não existir ainda um Museu dos Lanifícios em CASTANHEIRA DE PERA apesar de a Covilhã, através da sua Universidade da Beira Interior, ter criado uma instituição museológica numa antiga fábrica. Esta pretensão foi formulada, há anos, pelo historiador Dr. HERMANO SARAIVA nos seus apontamentos históricos. Programas televisivos inesquecíveis pela comunicabilidade com que o autor se apresentava à frente das câmaras e pelos conteúdos abordados. O historiador via, já nessa época, a necessidade de preservar a memória dos parques/fábricas de lanifícios que deram vida e dinâmica a CASTANHEIRA DE PERA. Coimbra também perdeu algumas dessas fábricas devido à inexorabilidade das mudanças que a Terceira e até Quarta Vagas trouxeram à nossa sociedade e ao Setor que se lançou com a máquina a vapor e a Revolução Industrial para vir a sucumbir, parcialmente, com o implantar das Novas Tecnologias e também pela produção “sofrida” e desumana de países que não respeitam os direitos fundamentais e nos fizeram (e continuam a fazer) forte e atroz concorrência. Também na época não soubemos apostar no DESIGN o que foi uma pena. Aliás, nem sempre colocamos o dedo nas feridas públicas e raras vezes fazemos balanços do que acontece à nossa porta. E falta o tempo para ficarmos com BOAS MARCAS DO PASSADO.

Neste caso volto a enunciar em O DESPERTAR uma proposta para que a GRANJA DO ULMEIRO venha a criar um NÚCLEO MUSEOLÓGICO DA FERROVIA PORTUGUESA. Já temos um belo Museu no Entroncamento, mas seria interessante que a GRANJA DO ULMEIRO/ALFARELOS fizesse justiça à importância que a ferrovia teve nesta zona do país a qual pertence ao concelho de Soure, até porque nesta nossa região, em concreto na Figueira, teve sede a antiga COMPANHIA DOS CAMINHOS DE FERRO DA BEIRA ALTA com as suas especificidades. Não deve ser difícil encontrar nas casas e armazéns destas localidades diversas peças dignas de figurarem num Núcleo Museológico e que este fizesse jus ao progresso que o caminho-de-ferro trouxe a estas localidades. Desconfio que vai para o lixo algum património industrial e, pergunto, a título de exemplo e mudando de setor, se as velhas rotativas e vetustos parques gráficos que permitiram a existência de jornais como este O DESPERTAR, há mais de cem anos, têm sido preservados? Museus grandes ou pequenos núcleos são o sedimento da cultura que nos antecedeu. Numa altura em que tanto se fala e escreve sobre um eventual Museu do Estado Novo seria bom começarmos a verificar (e a acautelar) o que efetivamente RESTA DA MEMÓRIA COLETIVA EM MÚLTIPLAS ÁREAS.


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