16 de Setembro de 2019 | Coimbra
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JOÃO PINHO

Museu Salazar – No fio da navalha

6 de Setembro 2019

Há muitos anos que se vem discutindo a possibilidade de ser criado em Santa Comba Dão um museu dedicado a Salazar, ideia que evoluiu, recentemente, para Museu de Salazar, do Fascismo e do Estado Novo.

Estando reunidas condições históricas para a sua viabilidade, técnicas e financeiras, logo se levantou um coro de críticas, temendo que o espaço se torne local de culto, de adoração da personalidade e do regime autoritário. Os mais receosos correram a lançar uma petição na internet manifestando-se contra tal ideia – não obstante a relevância do projeto para o desenvolvimento estratégico do território em que se insere.

Ao primeiro sinal de fumo da polémica que estalava, uma estação de televisão mudou-se para Santa Comba e fez uma reportagem sobre o assunto, entrevistando, essencialmente, gente do povo. Inquinada logo à partida, na medida em que deu por adquirido um museu laudatório da figura e obra do ditador, a peça jornalística mostrava opiniões, naturalmente, desfavoráveis ao projeto museológico colocando-o no fio da navalha.

Na verdade, a contestação partiu, essencialmente, da nomenclatura definida, bem como duma suposta evocação positiva do ditador. Porém, pouco se abordaram aspetos essenciais à pré-existência da musealização: discurso histórico, objetivos pedagógicos, memória e identidade…

Nesta delicada questão, António Costa não se perdeu e esteve muito bem. Leu nas entrelinhas dos vários depoimentos, orais e escritos, a avidez fomentada por jogos complexos de poder onde se cruzam interesses académicos, institucionais, políticos e até guerras e guerrilhas pessoais. De forma avisada o estadista informou a nação que falará sobre o assunto sim, mas só depois de conhecer o projeto em toda a sua extensão – lógico e evidente!

Polémicas à parte uma coisa parece óbvia. Salazar e o salazarismo continuam bem vivos no imaginário nacional, dividindo opiniões, conseguindo provocar significativos terramotos políticos e sociais, quando estamos à beira de completar 50 anos sobre o seu desaparecimento e numa altura em que a democracia entrou numa suposta fase de amadurecimento.

António de Oliveira Salazar


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