26 de Janeiro de 2020 | Coimbra
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Mosteiro de Santa Clara-a-Velha vai ser recuperado

6 de Dezembro 2019

As obras de recuperação do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, em Coimbra, devem arrancar no início de 2020. O projeto foi apresentado na semana passada, numa cerimónia que marcou formalmente o início da empreitada de reabilitação deste monumento, que representa um investimento de 549.605 euros e tem um prazo de execução previsto de 18 meses.

Na sessão, a diretora Regional de Cultura do Centro, Suzana Menezes, explicou que este projeto, que vai ser financiado pelo Programa Operacional Regional do Centro, pretende recuperar os danos sofridos neste edifício, na sequência das grandes cheias de janeiro e fevereiro de 2016. Recordou, aliás, que “a conflituosa relação do Mosteiro com as águas do Mondego é antiga, remontando a 1331 o registo da primeira grande cheia”. Depois disso, ao longo dos séculos, “várias outras vezes terá o rio entrado dentro do Mosteiro, originando sucessivos alteamentos das cotas do pavimento”, explica. Depois de ter sido definitivamente abandonado, em 1677, o Mosteiro passou por séculos de abandono e degradação, até que em 1995 foi alvo de uma “intensa campanha arqueológica” que, como explica Suzana Menezes, pôs a “descoberto parte do antigo Mosteiro, de que é exemplo o claustro gótico”, iniciando-se então “uma das mais extensas e complexas obras de recuperação, restauro e valorização efetuadas em Portugal” que, como recorda, permitiram a abertura, em 2009, do monumento e também do centro interpretativo. Por resolver ficaram, contudo, algumas fragilidades no que toda a inundações, como se provou com as cheias de 2016, que provocaram estragos de vária ordem em todo o edifício.

“Perante este cenário, a Direção Regional de Cultura do Centro negociou com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) verbas para a recuperação do património e dos mecanismos de proteção existentes, tendo submetido, em maio de 2018, uma candidatura ao Centro 2020, que é aprovada em setembro do mesmo ano”, explicou.

Da autoria dos arquitetos Alexandre Alves Costa e Sérgio Fernandes, o projeto vai agora avançar e visa, como realçou a diretora regional, “a conservação do edifício classificado e a beneficiação e valorização dos espaços envolventes que ficaram danificados com as cheias, de modo a restituir a este belíssimo lugar as condições de visita que existiam anteriormente”.

A secretária de Estado Ajunta e do Património Cultural, Ângela Ferreira, que presidiu à sessão, sublinhou que estas obras se inserem numa “lógica que dá centralidade ao património edificado”. Considera que o Mosteiro é “um tesouro patrimonial”, quer do ponto de vista histórico, cultural e arquitetónico e, sobre as obras projetadas, sublinha que são “urgentes” e que “vão tornar o património verdadeiramente de todos nós”, aproximando-o dos cidadãos.

Isabel Damasceno, vogal executiva do Programa Operacional Regional do Centro 2020, considerou que este é “um momento importante”, que marca o início da “reabilitação de um património extraordinário, ímpar, que existe em Coimbra”. Espera que esta intervenção permita que o monumento fique “protegido das intempéries” e que não volte a sofrer danos tão profundos como sucedeu em 2016.

Requalificação profunda para valorizar património

O projeto prevê a conservação do edifício mas também a valorização dos espaços envolventes que se encontram danificados. Suzana Menezes pretende “restituir a este belíssimo lugar as condições de visita que existiam anteriormente” mas, até lá, há muito a fazer.

O projeto prevê, na igreja, a recuperação e recolocação dos degraus de madeira do coro, a fixação das chapas de pavimento soltas e o envernizamento da zona do coro alto, bem como a conservação e restauro no terreno desagregado sob o coro e no piso superior e uma intervenção de limpeza na fachada norte, para valorização dos desenhos nela inscritos.

Os trabalhos contemplam também melhorias na zona do claustro, intervenções na totalidade dos paramentos, reforços nos portões exteriores, consolidação de muros, reabilitação dos passadiços, entre muitas outras obras com vista à recuperação do monumento, tanto no interior como no exterior.

O projeto contempla, ainda, a construção de um pequeno armazém para albergar o espólio arqueológico; a reparação da rede elétrica, do sistema de iluminação, do sistema de rega e do sistema de vigilância; e a recuperação das bombas e respetivos comandos na zona da igreja e a reparação do sistema de limpeza do espelho de água no Centro Interpretativo.

Os trabalhos vão ser executadas pela empresa AOF (Augusto de Oliveira Ferreira & Cpa., Lda), no âmbito de um segundo “procedimento concursal”, uma vez que, como explicou Suzana Menezes, o primeiro concurso público ficou “deserto”, por o preço base não ter “suscitado interesse do mercado”, o que obrigou a “uma profícua negociação” com a Comunidade Intermunicipal de Coimbra e com a CCDRC.


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