23 de Julho de 2019 | Coimbra
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Metrobus deve começar a circular em 2021

8 de Fevereiro 2019

Cerca de uma década depois do desmantelamento da linha do Ramal da Lousã, foi, finalmente, lançado o concurso público da empreitada do primeiro troço do Metrobus do Mondego, entre Serpins, na Lousã, e o Alto de S. João, em Coimbra, prevendo-se que este sistema de transportes comece a funcionar, de forma faseada, em 2021.

Lançado na segunda feira e a decorrer até maio, o concurso público para este troço suburbano representa um investimento de 25 milhões de euros e a empreitada deverá estar concluída no prazo de 15 meses após a adjudicação.

Durante a sessão, que decorreu na Câmara de Miranda do Corvo, o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, considerou que a opção por autocarros elétricos no Ramal da Lousã privilegia a descarbonização e “serve melhor” as populações do que o transporte ferroviário. Recordando o processo “extremamente difícil e complexo” que envolve esta empreitada, considera que agora já “não volta atrás” e que se está a “rasgar caminho novo de enorme complexidade técnica”. Salientou ainda que o Governo, as autarquias e demais intervenientes no processo fizeram esforços para que a solução fosse “compreendida pela população”, defendendo que o sistema de metro ligeiro ou mesmo a ferrovia convencional, com comboios a ligar o interior do distrito à cidade de Coimbra e à Linha do Norte, como aconteceu durante mais de 100 anos, “não era economicamente viável”. O governante considera, contudo, que a opção pelos autocarros elétricos é “uma solução à altura daquilo que as populações mereciam”, tratando-se de uma “mobilidade limpa, uma mobilidade do futuro”.

Coordenado pela Infraestruturas de Portugal, responsável pelas obras e cujo presidente, António Laranjo, também interveio na sessão, o trabalho de preparação do novo projeto de mobilidade para o centenário Ramal da Lousã e a cidade de Coimbra envolveu “vontades e capacidades técnicas de muita gente” e diferentes entidades públicas e privadas, designadamente o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), entre outras.

Costa diz que impasse terminou

O primeiro-ministro António Costa, que presidiu a sessão, considera que com o lançamento deste concurso público se coloca um fim ao impasse do Ramal da Lousã, que se estendeu por quase uma década.

“Foi necessário definir um modelo de transporte, mas mais importante do que isso foi essencial garantir o financiamento da solução aqui prevista”, disse o líder do Governo, que em dezembro incluiu a obra na reprogramação dos fundos comunitários do Portugal 2020.

O primeiro-ministro sublinhou que “o concurso está aberto, com financiamento assegurado e em condições” de a obra ser levada “até ao final”, rejeitando que se esteja ainda “a falar de ideias” e de “projetos”.

“Queremos acreditar que depois de muitos anos onde o investimento público esteve fortemente retraído, onde durante anos muitas empresas estiveram sem condições de laborar, é agora uma oportunidade para as nossas empresas se puderem animar e contribuírem também para o crescimento da economia através da realização desta infraestrutura da maior importância para a região”, sublinhou.

António Costa considera que este é o “melhor projeto que se adapta à revitalização da cidade de Coimbra, porque esta solução [Metrobus] tem a vantagem de não ficar às portas da cidade, pode entrar no miolo e ajudar à revitalização do conjunto da cidade”. Segundo o primeiro-ministro, este projeto é um exemplo de como o “país precisa de um Programa Nacional de Infraestruturas, que seja devidamente debatido, discutido e ponderado nas diferentes soluções alternativas e depois haja decisão e determinação na sua execução”.

O Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM) prevê a instalação de autocarros elétricos (Metrobus) entre Serpins e Coimbra B, com uma linha urbana até ao Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, numa extensão total de 42 quilómetros e um investimento estimado de 125 milhões de euros.

O presidente da Câmara de Miranda do Corvo, Miguel Baptista, recordou que os últimos anos, desde o encerramento do Ramal da Lousã, para obras iniciadas em 2010 e nunca concluídas, foram “um período muito difícil”. Lembrou, ainda, que “a solução ferroviária era ambicionada pela maioria da população”, que tem lutado pela reposição da circulação de comboios, com investimentos na modernização e eletrificação do Ramal da Lousã, que funcionava desde 1906. “Mostramo-nos satisfeitos pelo calendário que o Governo apresentou em junho de 2017 estar a ser cumprido à risca. O investimento tem financiamento comunitário garantido e esta aprovação em Conselho de Ministros reforça a confiança de que, finalmente, haverá uma solução para o Ramal da Lousã”, disse o autarca.

O presidente da Câmara de Coimbra, Manuel Machado, congratulou-se com o lançamento do concurso público, “um dia importante” para Coimbra e para os municípios vizinhos atravessados pelo futuro SMM. “O SMM anda há demasiado tempo a ser protelado”, lamentou, sublinhando que com a concretização do projeto, as autarquias de Coimbra, Lousã e Miranda do Corvo (que integram a sociedade Metro Mondego, criada em 1996 e que tem o Estado como acionista principal) estarão “em condições de pôr o SMM a transportar pessoas”.

Para Luís Antunes, presidente da Câmara da Lousã, o lançamento deste concurso “representa um momento importante para o concelho e região, porque vem confirmar que o Governo está, claramente, empenhado na concretização do projeto e que está a concretizar ações concretas, nomeadamente esta aprovação e lançamento da obra”.

Recorde-se que, durante mais de um século, a região foi servida pela ferrovia, desmantelada e encerrada pelo último Governo de José Sócrates, para obras que visavam a instalação do metro e que foram suspensas algum tempo depois devido a problemas financeiros.

Desde que o Ramal da Lousã foi encerrado, os utentes do antigo comboio passaram a ser transportados em autocarros de empresas privadas, ao abrigo de sucessivos concursos públicos, que já custaram à CP cerca de 10 milhões de euros.


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