13 de Julho de 2020 | Coimbra
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Liga Contra o Cancro alerta para a importância do rastreio do colo do útero

30 de Junho 2020

“Faz o rastreio e alerta as mulheres da tua vida!” é o mote da campanha que a Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) lançou com o objetivo de alertar para a importância de deteção precoce do cancro do colo do útero.

“Não se sabe quantas mulheres, em Portugal, deixaram de ir ao seu médico e fazer o rastreio do cancro do colo do útero por medo do contágio da Covid-19. Segundo os dados das autoridades de saúde nacionais, os primeiros três meses do ano, e em relação ao período homólogo de 2019, verificaram-se menos 6,6 por cento de consultas nos cuidados primários e menos 5,7 por cento de consultas nos hospitais”, dá conta a LPCC, sublinhando que é neste cenário que, com o apoio da Roche Sistemas de Diagnósticos, lança esta campanha de sensibilização.

De acordo com os dados divulgados, o cancro do colo do útero é o “segundo tipo de cancro mais frequente no sexo feminino a nível mundial”, tendo causado, em 2018, “340 mortes em Portugal”.

“De momento não há ideia do impacto do adiamento do rastreio do cancro do colo do útero, cujas repercussões se farão sentir daqui a alguns anos”, explica Daniel Pereira da Silva, especialista em ginecologia-obstetrícia e presidente da Federação das Sociedades Portuguesas de Obstetrícia e Ginecologia. Acredita, no entanto, que “é ainda possível recuperar o tempo perdido”.

“Tivemos uma pausa quase absoluta de três meses e tem agora de haver, por parte das autoridades de saúde, uma estratégia definida para que se possam recuperar estes meses”, alerta.

Com cerca de 500 mil novos casos e 300 mil mortes por ano (segundo os dados do Global Cancer Observatory – https://gco.iarc.fr/) em todo o mundo, o cancro do colo do útero foi diagnosticado em 750 mulheres portuguesas em 2018 (de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística). Resultante de alterações celulares que ocorrem nas células da camada basal do epitélio do colo uterino, provocadas virtualmente em todos os casos por uma infeção pelo vírus do papiloma humano (HPV), a doença demora, em média, dez anos para se desenvolver, o que, segundo os especialistas, torna mais fácil a tarefa da prevenção, seja através da vacina ou do rastreio (citologia e/ou pesquisa de HPV).

A LPCC explica que em relação ao rastreio do vírus do papiloma humano é relativamente fácil deixar para depois, sobretudo na ausência de sintomas. “Notamos, nas nossas consultas, que ainda não estamos com uma retoma como se estivéssemos numa situação de absoluta normalidade”, refere Daniel Pereira da Silva, que acredita que “o ganho de confiança será progressivo”. Considera ainda que, embora natural, o receio, que impede o acesso aos cuidados de saúde, é infundado. “Se obedecermos às regras definidas pela Direção-Geral da Saúde de uso de máscaras, de distanciamento e de lavagem e desinfeção regular das mãos, a probabilidade de infeção é baixíssima”, defende.

Sob o mote ‘Faz o rastreio e alerta as mulheres da tua vida!’, a campanha da LPCC pretende não só alertar para a importância do rastreio, mas também para aumentar o conhecimento da população geral sobre a relação entre o HPV e o cancro do colo do útero, desmistificando alguns factos comummente associados a uma infeção por HPV.

A LPCC lembra que, nos últimos anos, tem-se assistido a uma progressiva redução da incidência e mortalidade do cancro do colo do útero em Portugal. Daniel Pereira da Silva atribui esse dado positivo sobretudo ao rastreio defendendo por isso que a mensagem só pode ser uma – “a Covid-19 está entre nós e vai continuar nos tempos mais próximos. A vida é um todo e, por isso, devemos retomar, dentro da normalidade possível, os cuidados de saúde, cumprindo as regras que todos conhecemos, porque estão reunidas todas as condições para isso”.


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