7 de Maio de 2021 | Coimbra
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ANTÓNIO CASTELO BRANCO

Lavariz: Quem acode ao memorial do Mondego?

17 de Maio 2019

Um painel de azulejos com a primeira e a última quadra do poema “Ao Prateado Mondego” de Eugénio de Castro terá sido o que de mais expressivo encontrou a Liga dos Amigos dos Campos do Mondego (Lacam), em 2002, para homenagear não só este rio mas também o seu autor. Em boa hora isso aconteceu e o testemunho ali está, naquela que é conhecida por ponte de Lavariz ou pontão da Lavariz, que liga as duas margens pela estrada do Campo. Ainda que sumariamente e sem enfatizarmos aqui a sua obra, sinalizamos Eugénio de Castro como poeta, escritor, pedagogo e professor universitário, que serviu de referência aos mais notáveis homens da escrita nomeadamente Mário Sá Carneiro e Fernando Pessoa. Nascido em Coimbra a 4 de março de 1869, aqui acabou por falecer em 1944, tendo a sua vida ficado perpetuada nesta cidade com a criação do Agrupamento de Escolas, de seu nome, Eugénio de Castro.

Também a Câmara de Lisboa o não esqueceu, consagrando-o na sua toponímia em Alvalade. Não foi uma iniciativa isolada da Lacam esta a que nos referimos, pelo contrário, muitas outras por esse tempo foram levadas a cabo pela reconhecida associação, que manteve desde sempre no seu plano de atividades a salvaguarda da identidade do Baixo Mondego pelas mais variadas formas. De tal maneira, que daí adveio a criação do Museu do Campo na Carapinheira, no decurso de um persistente levantamento e de um aturado trabalho de recolha e preservação etnográfico, sem o qual deixaríamos de poder avaliar da cultura e da identidade daquelas terras e daquelas gentes. Trabalho meritório ao mais alto nível, permitimo-nos nesta circunstância evocar o saudoso Eng.º Correia de Oliveira, aquele homem de tão grande saber e dedicação, reconhecido como seu timoneiro. Neste contexto, e tomando como referência a ação levada a cabo pela Lacam aquando da colocação do dito painel, não podemos ficar indiferentes e deixar de denunciar o estado de abandono e vandalismo em que se encontra, onde um mundo silvas, canaviais e ervas daninhas o envolvem, permitindo que só por mero acaso se vislumbre. E é à laia de apelo, e sem outras conjeturas que não seja o respeito por uma entidade que há cerca de vinte anos tomou a seu cargo a dita exortação, lançamos o alerta para que se não deixe perder aquele memorial!


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