O presidente da União de Freguesias (UF) de Coimbra, João Francisco Campos, eleito pela segunda vez consecutiva, tem como missão a transferência das empresas de higiene e limpeza para o seu Executivo, com a promessa de uma Cidade mais atrativa para todos os que a visitam, em que a “sujidade não fará parte das suas características”.
Como caracteriza o seu período à frente da União de Freguesias de Coimbra?
Este mandato tem um início mais suave, uma vez que nos últimos quatro anos preparei a freguesia a nível logístico e funcional. Contudo, agora começámos um novo ciclo com uma Câmara diferente, mais amiga das freguesias, pelo que vamos ver se conseguimos assinar o auto de transferência das zonas verdes e da limpeza para a UF de Coimbra, algo que não tínhamos conseguido com o anterior presidente. Neste momento, cerca de 40 mil metros quadrados ainda estão nas mãos da SUMA, mas está aprovado para que quando o contrato terminar passem para a UF de Coimbra. O que desta forma originam mandatos diferentes tendo em conta que também temos um Município diferente e com uma visão distinta para Coimbra e nós temos de nos adaptar.
Como tem sido a relação com a Câmara? Considera os apoios da autarquia suficientes?
Os apoios nunca são suficientes. Se formos por aí nunca ninguém vai estar satisfeito, nem a Câmara com o Estado, nem o Governo com a União Europeia e quando é assim é uma “bolinha de neve”. Não é por aí que temos de pensar, mas sim que neste momento conseguimos ter diálogo com a autarquia, uma coisa que não conseguimos no mandato anterior. O diálogo é importante apesar que nem sempre levamos as nossas reivindicações a bom porto, o que é normal, mas tem de haver sempre os dois lados da conversa. Deste modo, acredito que vamos conseguir algumas das nossas reivindicações, porque são para rentabilizar e melhorar a cidade de Coimbra e o seu centro histórico.
Que prioridades tem traçadas para reavivar o centro histórico de Coimbra?
O centro histórico é uma das zonas que a nível de higiene está entregue à SUMA, pois faz parte dos 40 mil metros quadrados que ainda não fazem parte da nossa responsabilidade, embora ansiemos que passe para o nosso domínio. Acho que há muito trabalho a fazer tendo em conta as reclamações que temos tido. O centro histórico de Coimbra precisa de ser olhado de forma mais abrangente. Nós temos de perceber que houve uma alteração de paradigma na última década. Em 2011, a Almedina, freguesia da alta da cidade, que faz parte da zona histórica, tinha duas urnas com cerca de 1.400 votantes e agora tem uma a rondar os 700. Isto quer dizer que em dez anos perdemos metade dos nossos eleitores. Esta alteração demonstra o que tem acontecido na Alta, muita requalificação é verdade, mas também muita construção de hostéis que têm sido a nova “moda” das cidades com centro histórico e também um problema dessas localidades. Incomoda-me quando vou ao largo da Sé Velha, que agora está em obras, e vejo a quantidade de carros que estão lá parados e não deviam estar, porque os estacionamentos dos moradores são sempre ocupados pelos outros.
Há alguma outra prioridade além da higiene que tenha traçado para a UF?
A área social. Queremos dar continuidade ao que fizemos no último mandato que, fruto da pandemia, nos fez dar mais atenção a essa vertente, no apoio aos estudantes, a nível de equipamentos, até da própria internet que muitas famílias não tinham. Demos apoio aos séniores, dando máscaras, e também às nossas associações (EPI’S) e aos centros do dia com apoio domiciliário. Fizemos uma forte aposta na área social, temos três assistentes sociais a trabalhar connosco, uma a tempo inteiro, que já tem um posto de trabalho na Junta, e as que estão inseridas em projetos de inserção no trabalho. Queremos dar continuidade ao trabalho feito com as crianças com ATL, em parceria com o instituto de apoio à criança na Igreja de Santa Cruz. Pretendemos dar vida a Coimbra e por isso voltamos com alguns eventos que já tínhamos realizado antes e outros que vamos realizar, maioritariamente os que já vinham antes da pandemia e já estamos a idealizar para este ano e para o próximo.
Que iniciativas tem em vista para a região?
Já este fim de semana vamos ter iniciativas ligadas à criança no Jardim da Sereia, o “Jardim da Criança”, que consiste mais concretamente em atividades alusivas ao Dia da Criança com barraquinhas, várias ilhas dentro do jardim, que são locais onde os mais novos podem passar e passar momentos de magia, de conto, de pintar e brincar. A grande novidade é que vamos aproveitar o lago do Jardim da Sereia para fazer uma surpresa para as crianças com uns barcos telecomandados para andarem no lago. É um jardim para as famílias e as crianças poderem usufruir. No palco na entrada vamos ter atuações de alguns grupos, insufláveis e um campo de minigolfe. Os Santos Populares vão regressar no Terreiro da Erva, com uma festa maior, pois antigamente fazíamos no Largo do Romal, mas achamos que o espaço seria limitado. Pretendemos que a cidade se anime e queremos dar continuidade às festividades populares por toda a Freguesia, como na Pedrulha, Conchada, Parque do Comércio, Mercado Calhabé, que tem a particularidade de se direcionar mais à comunidade brasileira, mas com abertura para toda a população. Neste evento vamos manter os apoios ao Grupo o Folclórico de Coimbra, que entre 22 e 25 vai realizar as fogueiras e o baile mandado, no Xílico. Além destas, as festas da cidade e a feira popular vão voltar com toda a força. E seguidas dessas vamos ter a “street food” e espero que a consigamos realizar, como em 2019, no parque Manuel Braga. No final do ano teremos o Mercado de Natal, realizado pela UF de Coimbra, no Parque Manuel Braga.
Destacando a festa da Rainha Santa Isabel o que nos pode adiantar desta festividade?
As festas da cidade são realizadas nas regiões que envolvem a UF de Coimbra, no Jardim da Sereia, com a atuação de grandes artistas, como Carolina Deslandes e Miguel Araújo. As procissões da Rainha Santa Isabel vão marcar este regresso, pois são momentos de fé que trazem muita gente da cidade, como sabemos, anos sim, anos não, e estes dois anos não existiram e são memoráveis para a cidade de Coimbra, porque demonstram a nossa fé para com a Rainha Santa.
As festividades que estão a ser organizadas de forma geral é no âmbito do turismo externo ou interno?
Acho que é nas duas vertentes. Nós estamos a organizar um evento em conjunto com a Câmara que prevemos que terá repercussões de massas. Por exemplo, o Festival das Francesinhas teve mais de 10 mil pessoas a passar lá e uma boa parte das pessoas eram de fora de Coimbra e não estou a falar só de estrangeiros, mas de pessoas daqui, de Aveiro e Viseu, por exemplo, que vieram de propósito ao Festival das Francesinhas e isso aconteceu, também, curiosamente, no Festival das Sopas. Estes eventos não têm uma repercussão local, mas obviamente que precisamos novamente de ter as pessoas na Baixa e na Alta. A comunidade precisa de conviver e de voltar e viver todos estes eventos. O regresso do Cinema Fora de Portas, em conjunto com a Casa do Cinema, que espero que comece no sábado, com sessão dedicada às crianças, no Jardim da Sereia e que alarga um pouco por toda a freguesia, no Largo da Feira, no Largo da Sé Nova, na Via central e na Pedrulha. Já no ano passado fizemos mesmo com a pandemia, em que as pessoas tinham de tirar bilhete e reservar, sempre com todo o distanciamento que era obrigatório.
Qual é a sua maior ambição enquanto presidente da UF de Coimbra?
Eu tenho duas grandes ambições que gostava de destacar e cumprir até ao final do mandato. A primeira é a reabilitação do Mercado do Calhabé, nomeadamente ao lado das escadas que ligam a Rua Teodoro à Travessa dos Combatentes, que neste momento não têm funcionalidade para as pessoas, pois se elas precisarem de ir às compras não conseguem. A segunda é cobrir o Poli Desportivo da Pedrulha para que seja possível dar uma outra utilização ao pavilhão, pois já tem todas as condições possíveis, mas falta a cobertura para que se possa usufruir devidamente das instalações. O miradouro António Nogueira, na zona da Conchada, também gostaríamos de requalificar, já tentámos no mandato anterior, mas fruto de problemas com alicerces ainda não foi possível. É um miradouro muito interessante que muitas pessoas não conhecem e gostaríamos de o fazer mais urbano.
O que espera destes quatro anos da UF?
Gostava de consolidar o que fizemos no mandato anterior. Sobretudo melhorar os espaços verdes e a higiene e limpeza passarem para a UF, que já está em processo de transferência e pode trazer novos postos de trabalho para a freguesia, daí também ser necessária uma adaptação a esta transição. Essencialmente quero chegar ao final do mandato e ouvir as pessoas dizerem que as zonas de Coimbra estão mais limpas do que estavam no seu todo, como já acontece com Antuzede e Pedrulha, que a limpeza já faz parte da UF.
Quer deixar uma mensagem aos fregueses?
Só quero dizer que não consigo estar presente como gostaria, é uma impossibilidade, porque são quatro freguesias e não consigo estar em todas. Mas quero salientar que esta é uma casa aberta e os nossos fregueses podem dispor e vir quando quiserem para falar comigo ou com qualquer outro elemento. Confesso que sinto falta de ir à rua, ainda mais, porque só ouvindo os cidadãos é que conseguimos melhorar e por isto é que vamos abrir um Espaço do Cidadão para promover uma maior proximidade entre a UF e os cidadãos.