2 de Abril de 2020 | Coimbra
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Instituto nasce em Coimbra para promover envelhecimento com qualidade

24 de Janeiro 2020

Coimbra vai receber o primeiro Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento do Sul da Europa, um projeto pioneiro que pretende responder às “armadilhas” que advêm com o envelhecimento e com o aumento da esperança de vida, procurando focar-se nesta temática de uma forma integrada, que salvaguarde a vida mas também a sua qualidade.

Viver mais não significa necessariamente viver melhor. É esta certeza que está também na génese do Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento, um projeto pioneiro que vai nascer em Coimbra e que se vai centrar no estudo dos processos biológicos do envelhecimento, de forma a promover e sustentar o envelhecimento saudável e ativo.

Apresentado na terça feira, no Colégio da Trindade, este novo projeto, lançado pela Universidade de Coimbra (UC), em parceria com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) e Instituto Pedro Nunes (IPN), vai ser construído no Polo III da Universidade (perto do Centro Hospitalar e Universitário). Representa um investimento de 49 milhões de euros numa área em que, como afirmou a ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, a região é já uma referência, consciente dos dados que dão conta que Portugal é um dos países mais envelhecidos do mundo mas determinada a trabalhar no sentido de enaltecer o valor que os idosos têm para a sociedade.

“Somos região de referência no envelhecimento ativo e saudável”, sublinhou, considerando que isso é fruto da “atitude que temos em sociedade”, com práticas diferenciadoras em relação às pessoas que vivem mais anos, que não as excluam ou entendam como “um peso” mas que, pelo contrário, tenham em conta o seu “extraordinário valor”. No seu entender, é isso que este projeto visa, não ignorando os problemas reais, que se intensificam com a idade. “Até que deixemos de estar vivos que representemos valor para a sociedade, que esta reconheça que a nossa experiência é útil, que vivamos da maneira que entendermos mas de uma forma saudável”, explicou, realçando que, para que tal suceda, é preciso unir várias disciplinas mas também apostar na investigação, já que “estudar como envelhecemos ajuda a estudar como é que ficamos doentes.

Para Ana Abrunhosa “não basta pôr dinheiro nos problemas”, é preciso colocar também “ciência e conhecimento”. Considera que, nesse âmbito, este projeto vai nascer no “sítio certo”, contando com parceiros fundamentais e com um Centro Hospitalar que é “dos melhores do mundo” e que também é escola. Considera, contudo, que o “mais difícil está por fazer, que é contratar investigadores internacionais para este projeto, porque os 15 milhões de financiamento da União Europeia são para recursos humanos”.

Rodrigo Cunha, coordenador do projeto, considera que a questão do envelhecimento “constitui uma armadilha, na medida em que aumenta a esperança de vida, mas não aumenta paralelamente a qualidade de vida”. O centro surge, por isso, com o objetivo de “perceber as bases moleculares do envelhecimento” que, no seu entender, “são o principal fator de risco para as doenças associadas ao envelhecimento”, como o cancro, a diabetes, o alzheimer e as doenças cardiovasculares. Assegura que é preciso “encontrar novas estratégias que permitam viver com melhor qualidade durante mais tempo”.

O reitor Amílcar Falcão entende que este é um projeto fundamental para a UC. “Nunca tivemos um projeto desta dimensão, que são poucos em Portugal e na Europa, que arrastam consigo equipas de investigadores de grande qualidade”, disse, realçando também que a saúde é “uma área estratégica” para Coimbra e para a própria Universidade.

Amílcar Falcão anunciou ainda que a construção do edifício que vai acolher o futuro centro deverá arrancar no último trimestre deste ano, prevendo a sua conclusão no final de 2022. O novo centro terá uma área de 24 mil metros quadrados e seis pisos. O investimento previsto de 49 milhões de euros envolve a construção do edifício, equipas e projetos de investigação nos próximos seis anos, sendo que a União Europeia comparticipa com 15 milhões e a UC com 20 milhões de euros.

O Instituto vai reunir um total de 54 investigadores e, além da contribuição para a génese de conhecimento, visa desenvolver estratégias profiláticas e terapêuticas com vista a atenuar a incidência e desenvolvimento de doenças crónicas associadas ao envelhecimento, assim como desenvolver novas metodologias de promoção de qualidade de vida do idoso.


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