2 de Abril de 2020 | Coimbra
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Idosos de Coimbra já não querem envelhecer nos bancos de jardim

24 de Janeiro 2020

Envelhecer já não é sinónimo de improdutividade, jogar às cartas ou passar o dia em bancos de jardim. Em Coimbra há várias instituições que investem no envelhecimento ativo para que os mais velhos possam aproveitar o seu tempo livre de outra forma.

A Associação Nacional de Apoio ao Idoso (ANAI) é uma delas, tendo vários programas que promovem a atividade na terceira idade. Entre eles está a Universidade de Tempos Livres (UTL), a Oficina do Idoso (centro de dia) e o Serviço de Apoio Domiciliário. Para além disso, foi criado também o Banco de Ajudas Técnicas (que oferece instrumentos como cadeiras de rodas, canadianas, entre outros) e o Observatório Social do Idoso (que investiga e diagnostica assuntos relativos a esta faixa etária).

Para José Ribeiro Ferreira, presidente da direção da ANAI, o que mantém a pessoa ativa é o interesse na vida. “Se deixar de ter interesses, envelhece rapidamente”, sublinha, considerando que “os idosos, só em última análise, é que devem ir para um lar”. Acrescenta, ainda, que “há pessoas com cerca de 90 anos nesta instituição”.

A UTL tem cerca de 30 “disciplinas de raciocínio” onde se destacam as aulas de literatura, história, línguas, informática, pintura e música, bem como disciplinas de âmbito desportivo, nomeadamente ginástica e hidroginástica.

Os alunos podem escolher as suas próprias disciplinas e alguns até as repetem, visto que os professores se preocupam em mudar o programa todos os anos. Também existem atividades complementares durante o período letivo como, por exemplo, palestras, visitas culturais, espetáculos, passeios e convívios.

É na sequência destas disciplinas que muitas das pessoas descobrem a sua vocação, pois experienciam atividades que durante o período profissional não tiveram oportunidade. Por exemplo, uma aluna da UTL ingressou nas aulas de pintura e, a partir desse momento, produziu as suas próprias exposições.

Muitas das pessoas que frequentam a instituição dizem que para eles “a ANAI foi tudo”. De acordo com o diretor, esta é a prova de que o cérebro pode envelhecer com o passar dos anos, mas também pode regenerar caso esteja no ativo.

“Muitas vezes o que falta é a afetividade que os leva a definhar cada vez mais”, afirma. O afeto é uma mais-valia no que diz respeito ao envelhecimento saudável. Há muitas pessoas que optam por ficar no centro de dia, onde não só é feita a manutenção da mente e do corpo com diversos exercícios, como também recebem o devido acompanhamento.

No entanto, para além deste “pico” de preocupação com os idosos, existem instituições que os veem como um negócio e não como alguém que precisa dos seus cuidados. José Ribeiro Ferreira justifica que, “muitas vezes, as ações práticas para proteger ou para apoiar os idosos não existem”, ou seja, “os idosos são um mero pretexto para ganhar a vida”.


  • Diretora: Zilda Monteiro

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