22 de Agosto de 2019 | Coimbra
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Honrar o passado

27 de Setembro 2018

Escrever para a edição centenária de um jornal regional é um privilégio.

Mas se, para além disso, se trata de um jornal da minha cidade, de um jornal que conheço desde que me conheço a mim próprio e a que sempre estive ligado por laços de amizade fraterna, então é também um prazer.

Começo por evocar a Família Sousa, que teve a ousadia de criar um jornal interventivo, de causas, de proximidade. E que teve, depois, o mérito de conseguir mantê-lo e de transmitir, de geração em geração, o amor pelo jornal.

Sem menosprezo pelos outros membros da Família, quero evocar, de forma muito especial, a memória de Fausto Correia, meu saudoso Amigo desde a infância, com quem partilhei tantas cumplicidades e tantas aventuras – entre elas a de fazer jornais.

O Fausto era um homem de paixões: a Família, a Política, a Académica, Coimbra, o Jornalismo.

No seu imenso coração, “O Despertar” ocupava um lugar muito especial, já que se sentia responsável pelo testemunho que lhe fora transmitido pelo Avô e pelos Tios.

O Fausto tinha, para este jornal, tal como para Coimbra, muitos sonhos, muitas ideias, muitos projetos.

Com o seu prematuro (e tão injusto!) desaparecimento, foram-se os sonhos e ficaram os projetos por concretizar.

Felizmente, porém, “O Despertar” resistiu e continua a publicar-se – sendo de justiça sublinhar que tal se deve ao Lino Vinhal, que assumiu esse compromisso como preito de homenagem à memória do Fausto Correia.

Apetecia-me dissertar um pouco sobre aquilo em que se transformou o jornalismo, que pouco tem a ver com o que era a profissão quando nela me iniciei, há quase meio século. Em que havia censura, mas também coragem de utilizar as palavras como armas. Em que não existia Código Deontológico, mas havia princípios éticos, bom senso e honradez. Agora vive-se a época da “pós-verdade”, das “notícias falsas”, dos “factos alternativos”…

Mas como esta é uma edição festiva, não vou aqui traçar o triste retrato de um jornalismo autofágico.

Prefiro aproveitar o espaço para enaltecer “O Despertar”, para homenagear todos os que o fizeram e continuam a fazê-lo, desejando que nunca percam a ligação à sua cidade, às gentes que nela vivem e trabalham, às instituições que a servem. Denunciando quando tal se justifica, elogiando sempre que o mereçam.

Essa é a única via para honrar o centenário e para conquistar o futuro!

JORGE CASTILHO (Jornalista)


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