8 de Maio de 2021 | Coimbra
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MANUEL BONTEMPO

Hébil artista singular

16 de Abril 2021

Pintor de pensamento extrovertido, por vezes mordaz, teve uma atitude única, uma estética romântica e uma fantasia dolorosa como via a sociedade na perda da sua personalidade humana.

Pintou “Nocturnos”, que foram um grito de alerta a uma comunidade de homens desumanizada e a sua curiosidade intelectual nasce de uma inteligência aguda e perspicaz, mordaz como as entidades tratavam o homem na sua personalidade.

Os desprezados, os sem-abrigo, sem eira nem beira, foram nos anos 50 e 60 do século XX a efervescência criadora de um dos mais destacados pintores de Coimbra e do país.

Filósofo teve sempre o sentido de sofrimento alheio e o seu ceticismo de uma refinada acuidade levou-o sempre a tratar o Homem como centro da sua famosa obra.

Lúcido e consciente. Pensador e nebelibata teve no Café Arcádia a companhia de Miguel Torga, Nunes Pereira, Orlando Carvalho e outros, escritores em pequenas “charlas” e o pintor ilustre num esbatimento transitório dissertava sobre Arte e Cultura numa rara fórmula intelectual com a bênção de Miguel Torga, o grande escritor, onde amiúde Hébil mostrava a estrutura do seu universo e o sentido da sua existência agnóstica mas nas horas de aflição voltava-se para um raio de luz.

Foi assim com a doença dos seus familiares.

Pintor credenciado e solidário com a miséria humana.

Para além da figura trágica das suas telas, as suas figuras foram no seu tempo únicas.

Hébil de estatura meã e de cabelo revolto, sisudo, de livros debaixo do braço foi uma personagem teimosamente humana e obstinadamente fiel aos seus modelos que nunca esqueceu as particularidades tão de Coimbra, na luz e na sombra, no pôr-do-sol em Santa Clara, a par de uma absolutização unilateral oposta à sua da arte pela arte!

A sua obra foi a sua filosofia um tanto ou quanto hermética.

As suas meditações sociológicas envolveram grandes encontros com Manuel Almeida, encenador, Orlando Carvalho, professor, Nunes Pereira, pintor e escultor e outros.

O Café Arcádia foi, de facto, um centro de discussão da Arte, de Literatura, da Filosofia, de Política com homens distintos que tinham o seu estilo incomparável, demiúrgico do ponto de vista do léxico, cromático que dava prazer ouvir estes grandes homens do pensamento!

Depois a presença do maior escritor português, Miguel Torga, tornava as conversas cheias de revérberos sentimentais, críticos, onde sobressai Hébil na sua tarefa eminente de louvar Coimbra com a sua pintura e com o grupo que ele intitulava de filósofos de mesa de café!


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