22 de Agosto de 2019 | Coimbra
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Haverá sempre canetas

27 de Setembro 2018

Coimbra, mês de fevereiro, 2017.

Depois de uma manhã de sol, bem amanhada por alvas nuvens e brisas intermitentes, o destino dá de caras com o senhor António. O abraço marca o início do diálogo e, num ápice, surge o flashback: Anos a fio, António marcara o compasso das notícias com sensibilidade e honra mas bastaram uns fulgores de umas tardes sem ética para que António optasse, definitivamente, por colocar um ponto e vírgula na prosa feita notícia.

Caneta ao fulgor do discurso, memória fervilhante de casos já moídos pelo tempo, António não se deixara vencer, porém, pela reforma dos jornais. Explica-se. Explica-nos as novidades.

Em Coimbra, emoldurada de gente e pequenos recantos feitos de obra grande, António – afinal – prossegue e cultiva o gosto pela literatura, o teatro e a escrita. Dos jornais faz livros. Da sua lavra brota história e das notícias de outros e das suas crónicas nasce mais prosa sua. Aos amigos acrescenta vida e poesia. À vida acrescenta amigos e poesia. À poesia junta amigos e vida.

Caneta ao fulgor da escrita, protagonista de redondel entre os jornais e os livros, entre os sons e as representações de todos os verbos, António é exemplo de perseverança, de amizade longa entre escribas e convivas e de todas as equipas de um jornal inteiro. Não se deixou triturar pela velocidade atávica dos computadores, não se deixou derrotar pela vibração polifónica dos telefones de bolso nem pela comiseração de tanta tecnologia que encharca as almas sem destino. Desapareceram profissões, recorda António.

O jornal – agora – é punhado pequeno de funções até ao nanossegundo da impressão. O jornal – por agora – até é espaço virtual no burgo grande da internet. Mostram-se as gentes e os lugares da memória, fixam-se os nomes das gentes e as marcas da história, projetam-se os acontecimentos do País e da glória, ecoam os líderes da oratória. Que vitória!

António é jornalista e osso imortal de palavras…

Coimbra, mês de fevereiro, 2117.

Haverá sempre canetas.

(Em atualização)

PAULA CARMO (Consultora de comunicação)


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