6 de Dezembro de 2022 | Coimbra
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António Inácio Nogueira

Halloween: as bruxas andam por aí!

18 de Novembro 2022

Há dias vi a minha neta vestida de «bruxa fina», acompanhada de outra amiga também trajada a preceito. Ambas traziam um saco e preparavam-se para percorrer as casas do bairro, pedindo gulodices em nome dos mortos.

Apesar da influência galopante da festa com contornos norte – americanos voltamos a este pacote pré – formatado das roupas, máscaras e abóboras -, assistimos a uma reacção extremamente interessante de ressurgimento das tradições europeias. Apesar do Portugal americanizado, não há muito tempo, ainda era comum ver grupos de crianças de porta em porta, com sacos de pano do pão, a pedir os santinhos ou o «pão por Deus». O peditório era uma das tradições que se cumpriam no dia de Todos – os – Santos. mas o costume foi perdendo força, poucos o conhecem e menos ainda o praticam. Primeiro desapareceu das cidades e logo se tornou raro nas aldeias. Se bem me lembro, dizia-se esta ladainha à porta de cada um: «senhora dê-me os santos, por alma dos seus defuntos, que lá estarão na Santa Cruz, para sempre amém Jesus.»

A cultura de celebração do Halloween é muito forte em países de língua anglo-saxónica, sobretudo nos Estados Unidos. Com o tempo, ganhou popularidade e, hoje, é comemorado, ainda que em menor escala, em boa parte do mundo.

A tradição do Halloween foi levada pelos irlandeses para os Estados Unidos.

A maioria das memórias do Halloween foram originadas nos antigos festivais celtas chamados Samhaim, que marcavam a passagem de ano e a chegada do Inverno. Para os celtas, o início do Inverno representava a aproximação entre o Mundo e o “Outro Mundo”, onde vivem os mortos.

Os celtas acreditavam que no início do Inverno os mortos regressavam para visitar as suas casas e que assombrações surgiam, para amaldiçoar os seus animais e as suas colheitas. Todos os símbolos que hoje são característicos do Halloween eram formas utilizadas pelos celtas para afastar esses maus espíritos.

A maioria dos sinais característicos do Halloween possuem origem nos primórdios da tradição, enquanto outros foram agregados com o tempo. Entre os principais podemos considerar: as cores laranja e preto. O festival do Samhaim era comemorado no início do Outono, quando as folhas se tornam laranjas e os dias são mais escuros. Daí a associação do Halloween com essas cores. A lanterna de abóbora (do inglês Jack o’lantern), tem origem num conto celta sobre um rapaz proibido de entrar no céu e no inferno que vagueava eternamente com a sua lanterna em busca de descanso.

A tradição de esculpir abóboras, teve início nos Estados Unidos. Anteriormente, os países de origem celta entalhavam nabos e inseriam velas no interior com o objectivo de afastar espíritos.

Actualmente, o Halloween é fortemente marcado por festas de fantasia que geralmente seguem a temática sombria de bruxas, zumbis, esqueletos, etc.

As Gostosuras e Travessuras, do inglês trick or treat, de que já falamos, teve origem na Grã-Bretanha, mas foi popularizado nos Estados Unidos nos anos 50. A actividade é voltada para crianças que, fantasiadas, batem de porta em porta interrogando os donos, “tem Gostosuras ou Travessuras?”. Caso a pessoa não dê algum brinde, como doces ou dinheiro, as crianças fazem alguma travessura na sua casa. [vénia a Catarina Soares, Igor Alves e Albertino Gonçalves].

A minha neta e a amiga trouxeram o saco cheio de prendas. Cumpriram a tradição e os donos da casa velaram pelos seus mortos!…

Amém!


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