17 de Abril de 2024 | Coimbra
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João Pinho

FUTEBOL DE FORMAÇÃO – PEÇO A PALAVRA PARA DIZER BASTA!

21 de Abril 2023

Cumpriram-se no passado dia 17 de abril, 54 anos sobre o dia em que Alberto Martins, presidente da AAC, desafiou o regime salazarista com um simples “peço a palavra”, momento alto da crise académica de 1969.

De facto, existem ao longo da nossa vida momentos em que temos de dizer basta. São aqueles em que nos fartamos de algo que reputamos como injusto, agressivo, opressivo. Podemos fazê-lo em prol do individual ou do coletivo, sendo que me irei expressar a título meramente pessoal, desejando que a mensagem chegue aos destinatários, límpida e frontal.

Todos sabemos a importância do futebol de formação. Existem diversos compêndios sobre a matéria, textos avulsos dispersos no modo impresso e online, opiniões para todos os gostos. Mas há um denominador comum em todas as abordagens: o papel dos treinadores, como figuras chave na evolução desportiva, da componente física à emocional. Eles são os líderes, as referências dentro e fora do campo para os pequenos atletas, com uma forte componente pedagógica associada. No fundo, são ou devem ser o exemplo.

Por vezes erram, o que é natural pois são seres humanos. No entanto há erros inadmissíveis, como aquele que aconteceu no pretérito dia 13/04 em que a equipa de sub-12/fut7 do União 1919 visitou o Águias. Como explicar aquela segunda parte onde aconteceu quase tudo que havia para acontecer de mau, contrário aos ensinamentos da formação?

Vamos aos fatos objetivos. O treinador do Águias, por sinal guarda da GNR, impede um jogador do União de lançar a bola pontapeando-a, lançando o rastilho para a massa associativa. A atitude, irrefletida, não escapa ao olhar do árbitro, que admoesta o treinador/formador com o consequente cartão amarelo. Gera-se um clima de indignação generalizada e o treinador-adjunto do Águias é expulso por impropérios e ofensas ao árbitro, dirigindo-se, precisamente, para a bancada onde continua com atitudes provocatórias. Entretanto, os ânimos na bancada exaltam-se e as forças policiais tiveram de intervir.

Aquele simples jogo entre miúdos a roçarem os 12/13 anitos teve tudo para acabar mal e demonstra a fragilidade das emoções, quando estamos em pleno cenário competitivo que ditará o campeão distrital, onde para alguns a formação não passa de um verbo de encher e o que conta é ganhar a todo o custo – o que até não foi o caso pois o jogo acabou empatado.

No meio de uma confusão perfeitamente evitada, convém salientar os aspetos positivos: os miúdos comportaram-se como adultos, o staff do União 1919 esteve irrepreensível perante a afronta.

No entanto, peço ainda a palavra para lançar um repto à Associação de Futebol de Coimbra. Nesta fase, em que a competitividade está ao rubro, seria bom que tivesse observadores aos jogos, mais não seja para tirar notas de quem se preocupa em formar e, em sentido inverso, de quem desforma os pilares base de um desporto saudável – o qual deve ser pautado por respeito e elevação entre todos os intervenientes ao jogo.


  • Diretora: Lina Maria Vinhal

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