24 de Outubro de 2021 | Coimbra
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MANUEL BONTEMPO

Falar de poesia

15 de Janeiro 2021

A poesia estimula o leitor e aguça os instintos, as emoções, aflora as consciências quando se associam as formas e esmiúça os fenómenos psíquicos, o amor, o ciúme, a paixão, as imagens e um conjunto de sensações adormecidas.

A poesia é beleza transfigurada e desde a poesia quinhentista que se sente na poética lusa a ideia da beleza.

E é essa “ideia de beleza” que anda muito arredia dos poetas que surgem aos montes e que todos os dias lançam gongoricamente os seus livros.

Já fui como tanta gente a lançamento de livros que foram um logro. Por outro lado assisti por dever de ofício à apresentação de livros valorosos que foram – e são – um festim para os sentidos onde todos sem exagero ficaram com as belas letras retidas na sensibilidade.

A poesia atual em nós, no plano artístico e emocional extra no mais íntimo da alma assim como os poetas alguns ainda vivos, nossos contemporâneos de Coimbra, que passam por nós, nas nossas ruas, uns ainda pedagogos a desvendar mundos interiores numa larga dimensão ontológica ou numa liberdade contida no canto do poeta mesmo que seja um simples monólogo interior.

O mundo dos poetas, dos grandes poetas também pode ser o nosso, logo que saibamos compreender.

E se a poesia deve representar o seu tempo mas tem a lúcida consciência que fica a personalidade do poeta, do artista, do criador.

Criar e recriar eis também a função da poesia; pegar no destino humano e prometer aos homens outra visão do mundo diante do mistério das palavras, das alegorias, das metáforas ou ainda por uma angústia avassaladora de transmitir a salvação da espécie humana num momento de crise de valores.

E é ver, de vez em vez, alguns autores no plantio seleto do verso nas páginas de “O Despertar”.

É o respeito da poesia à luz dos horizontes onde cabem os esquemas clássicos e os revolucionários ou arantos do iluminado iluminismo ou dum novíssimo verso.

O que por vezes não há destrinça onde começa ou acaba o verso.

Hoje em dia todos gostam de cozinhar o seu versinho…

Este “velho” jornal revelou grandes poetas, gente de todos os estratos sociais, e acarinhou os “novos valores” como faz desde a sua fundação, e os seus autores através dessa publicação lançaram alguns dos seus livros…

“O Despertar” promoveu sempre a cultura erudita e popular!


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