16 de Setembro de 2021 | Coimbra
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Estórias de Santa Clara: A corrente do perdão

16 de Novembro 2018

Por José Simão

Um dia estava eu a falar sobre história e histórias de Santa Clara para o programa televisivo “Locais e Cardiais” a contar uma tradição que acabou, mas duma maneira mais judicializada continua.

Em tempos antigos, quando a igreja era um porto de abrigo para todos, mesmo dos criminosos e foragidos, havia um acordo entre polícias e igreja em que não era permitido prender qualquer pessoa que estivesse dentro de uma igreja, mesmo sendo um foragido. Era no tempo em que se respeitavam as igrejas e capelas, que até de noite estavam de portas abertas aos crentes e fiéis. Hoje se as igrejas estivessem abertas durante a noite seriam assaltadas pois há uma grande falta de respeito e temor a Deus.

Como a igreja da Rainha Santa estava dentro do espaço conventual e este fechava o portão de entrada ao toque das trindades, não permitindo assim o acesso à igreja, foi colocada uma corrente de ferro ligada da igreja ao exterior de maneira a que qualquer foragido que agarrasse a corrente era como se estivesse dentro da capela ou igreja e assim a polícia não o podia prender. Estava eu a dizer que a corrente já tinha desaparecido do local, quando olhei para o pórtico de entrada no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova e vejo a corrente presa num pedregulho. Ainda lá está, física e simbolicamente, mas não tem a oficialidade de outrora, senão a corrente nem se veria com tantas mãos agarradas.

Poderá também ouvir as Estórias de Santa Clara contadas por José Simão, presidente da União de Freguesias de Santa Clara e Castelo Viegas, às sextas feiras no programa da manhã da Rádio Regional do Centro (96.2 FM), entre as 7h00 e as 8h00. www.radioregionalcentro.com


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