20 de Outubro de 2021 | Coimbra
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CLARA CORREIA

“… era eu que fazia os apontamentos!”

26 de Outubro 2018

Tenho muitas saudades, muito saudáveis, dos anos em que joguei basquetebol no Olivais Futebol Clube.

Foram muitos os jogos e é completamente (im)possível recordar-me de todos eles. No entanto, há um jogo que ficou para sempre gravado na minha memória (e no meu coração): o primeiro jogo que fizemos nos Açores, contra a equipa do União Micaelense. O pavilhão estava completamente cheio, o ambiente era assustador e apesar de estarmos a vencer o jogo quase até ao final, acabámos por perder. No último desconto de tempo combinámos perder o jogo porque não havia condições para sairmos do pavilhão em segurança, em caso de vitória. Para além disso, apenas tínhamos avião no dia seguinte o que ainda tornava a situação mais delicada. Aquela foi a derrota mais difícil da minha carreira desportiva (e recordo o jogo em nossa casa como o meu melhor jogo de sempre)!

Antes de sair de casa o Pai Augusto tinha-me recomendado que, em S. Miguel, procurasse um seu amigo, o Eng.º Eduardo Moura. Este senhor, natural dos Açores, estudou com o Pai Augusto (em Coimbra e no Porto). Assim que terminaram os seus cursos as carreiras profissionais separaram os dois amigos mas, uns anos mais tarde, seria a política a juntá-los na Assembleia Nacional.

Assim que cheguei a S. Miguel procurei a casa do amigo do Pai Augusto e toquei à campainha. Queridos leitores, não consigo encontrar as palavras certas para descrever a alegria daquele senhor, quando escutou: “O meu nome é Clara, venho de Coimbra e sou filha do Augusto Correia”. Ainda hoje me emociono quando recordo o carinho com que o Eng.º Eduardo Moura e a sua esposa me receberam. Logo naquela tarde passei muitas horas com eles e escutei muitas histórias. Acabaria por pedir ao meu treinador autorização para ficar em casa daqueles senhores, com o compromisso de estar no dia seguinte no pavilhão à hora combinada (no final do jogo acabaria por “regressar a casa”). Aquela “surpresa de luxo” tinha deixado o amigo do Pai Augusto radiante e eu gostei dele assim que o vi… (O Pai Augusto sabia muito bem escolher os amigos!).

Passaram 30 anos sobre aquela viagem a S. Miguel… aquela foi a primeira vez que viajei de avião e longe estava eu de imaginar que pouco tempo depois os aviões passariam a ser os meus comboios!

Foi graças àquele primeiro jogo nos Açores que conheci o Eng.º Eduardo Moura e a sua esposa. Nos anos seguintes estivemos sempre em contacto e os meus amigos, carinhosamente, foram acompanhando os meus sucessos académicos e profissionais. Foi inesquecível a primeira vez que nos encontrámos em Coimbra e que percorri com o Eng.º Eduardo Moura as ruas da Alta da nossa cidade. Deliciei-me com as histórias dos seus tempos de estudante… Foi inesquecível a primeira vez que nos encontrámos em Lisboa e que percorri com o Eng.º Eduardo Moura as ruas da nossa capital. Deliciei-me com as histórias dos seus tempos de política… Foi inesquecível!

Ainda hoje recordo, com um sorriso no coração, a revelação mais gira que este amigo do Pai Augusto me fez. “… para o teu Pai poder andar atrás da Académica, era eu que fazia os apontamentos!”.


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