30 de Maio de 2024 | Coimbra
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MANUEL BONTEMPO

Em conversa caseira

31 de Maio 2019

Estiveram em minha casa várias amigas propensas às coisas da cultura, do diálogo, da troca de pontos de vista.

Já aposentadas das suas ocupações profissionais. E quase todas com extrema habilidade para as artes plásticas.

Como vivo só, soa a uma espécie de centro desta equipa de mulheres já batizadas de impressionistas.

Gente com talento relativo, uma ou duas já expuseram na Casa da Cultura, como Maria Alcina, Nora Simões e Gracinda da Luz, em Lisboa, e Alda Belo tem em si um vasto campo de experiências e toda esta simpática gente se encontra periodicamente argumentando e discutindo às vezes até tarde (relativamente tarde, entenda-se) e na miragem de lançar novos movimentos.

É com grande gosto assistir em minha casa em regra sumamente sossegada com o seu único habitante ao desbobinar de teorias e de experiências da valia técnica destas mulheres que lembram o sintesismo ou o fauvismo. Gostava, como acolhedor destas artistas, ver presente a categorizada Isabel Zamith, Isabel Silva, de renome ibérico.

Como, por regra, vivo quase fechado em casa depois de perder a família é este grupo culto e irreverente que toma, de vez em vez, o meu retiro, ou clausura, de assalto numa salutar irreverência.

Helena Toscano, Rosa Maria, Maria Pedro, de longe em longe desce do Porto, esta que teve desejo há anos de escrever uma espécie de manifesto para glorificar o papel das mulheres artistas. E são muitas, vivem dentro dum casulo e é raro a opinião falar no seu real valor.

Isabel Jacob, Madalena Leandro, Maria Venâncio emprestam raro brilho às suas obras, que surgem de tempos a tempos, com irregularidade devida às suas nobres ocupações profissionais.

Pois foi parte desta “fauna artística” que invadiu o meu castelo de sonhos irrealizados e me deram por pedaços a alegria de viver agora que estou no fim do caminho.

O mundo cão, azedo, velhaco, ainda possui gente nobre que se ergue em considerações humanistas e que tem na arte uma forma de vida.

E foi este pedaço de vida, de vez em vez, trazem à minha misantropia.

Bem hajam!


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