É de Cantanhede o jovem cientista que vive na Suécia e de tal maneira se tem distinguido pela sua invulgar capacidade inteletual que acaba de ser escolhido para fazer parte do Comitê do Prémio Nobel, entidade que ano a ano vai escolhendo o melhor de entre os melhores a quem atribui o Prémio Nobel da respetiva área. Este prémio, o mais prestigiado e desejado entre todos os demais, é atribuído em seis categorias temáticas diferentes: Física, Química, Economia, Fisiologia ou Medicina e Literatura. Cada uma destas altas distinções é atribuída por um Comitê Nobel (por via eletiva entre os diversos candidatos), que é no fundo o grupo de trabalho encarregado de indicar os respetivos candidatos ao Prémio Nobel, em cada uma das áreas atrás referidas. Gonçalo Castelo Branco, o jovem de 50 anos oriundo de Cantanhede, foi eleito há dia para o Comitê Nobel de Fisiologia ou Medicina.
Licenciado em Bioquímica na Universidade de Coimbra em 1999, estudando também algum tempo em Cambridge, viria a doutorar-se em Bioquímica Médica já na Suécia, onde passou a viver (casou com uma jovem sueca) e a trabalhar. Se esta distinção foi de imediato muito aplaudida por toda a comunidade científica que vive, preenche e constitui o centro nevrálgico do Saber na Suécia que na altura da atribuição dos Prémios Nobel atrai a atenção do mundo científico, por cá surpreendeu-nos, tão pouco habituados estamos a acontecimentos desta dimensão. Não se trata, expliquemo-nos, de ganhar um Prémio Nobel, que Portugal ganhou já há uns anos com José Saramago. Vencedor do Nobel da Literatura, como Egas Moniz havia já vencido bastantes anos antes, ex-aequo, o de Medicina. Neste caso a eleição de Gonçalo Castelo Branco foi para o grupo (Comité) de cientistas que vai eleger o Nobel da Medicina ou Fisiologia.
NASCIDO EM CANTANHEDE
Nasceu em Cantanhede, o agora eleito para este Comité. Por Cantanhede se manteve, fez os seus estudos iniciais, afirmando-se sempre como um aluno de exceção. Licenciado em Coimbra, viria a concluir o doutoramento já na Suécia, prosseguindo as suas investigações durante alguns anos também em Cambridge, regressando depois à Suécia, onde se fixou, tem trabalhado e agora recebeu este honroso convite. Um de quatro filhos nascidos de uma família muito conhecida e prestigiada, cujo pai era advogado (dr. Manuel Castelo-Branco), juntamente com a esposa (Noémia Lobo Castelo-Branco), eram muito apreciados pela forma invulgarmente elegante e afetiva como se relacionavam com Cantanhede e toda a região. Três dos quatro filhos estão ligados à investigação médica, o Gonçalo atrás referido e mais dois irmãos em Coimbra, o Miguel Manuel Castelo-Branco, na Universidade de Coimbra, e Noémia Castelo-Branco, no IPO. Apenas Manuel Castelo Branco escolheu Direito, na linha do que o pai fizera. Muito conhecido em Coimbra onde goza, ele também, de muito prestígio, Manuel Castelo Branco é advogado e professor, tendo dirigido vários anos a Coimbra School e preside atualmente o Instituto Miguel Torga, onde está a desenvolver um notável trabalho de recuperação, após um período difícil que atravessou e ainda vive em alguma medida.
Se esta família Castelo-Branco sempre foi muito respeitada e conceituada em Cantanhede, graças, como atrás se disse, a uma invulgar e distinta capacidade de relacionamento, os seus dotes para a investigação científica só surpreende se não soube-se que a mãe, nascida em Goa, veio para Portugal graças a uma raríssima circunstância: ganhou na sua juventude a Bolsa Império que lhe permitiria vir continuar os estudos em Portugal, aqui tendo conhecido o marido com quem formou tão distinta família.
NATURALMENTE FELIZ
Por gentileza do próprio, O Despertar teve oportunidade de uma breve conversa telefónica com Gonçalo Castelo-Branco que, naturalmente, não escondeu o seu contentamento por ter sido eleito para o Comité, eleição que não perspetivava pelo menos para já mas que, também por isso, representa a concretização de uma ambição que alimenta a generalidade das pessoas que se sabem ter condições para isso. O facto de já pertencer à Assembleia e agora ao Comité é, disse-nos, a consequência de uma vida de estudo que iniciou muito cedo, destacando nessa sua vontade de estudar e saber o papel dos pais na sua formação cívica e académica. Pais que, destacou, foram os grandes mestres de toda a sua vida e a quem se deve por inteiro enquanto cientista.