Ser cultor/impulsionador da cultura nacional e de outras iniciativas, como a intervenção – plantação do Pinhal de Leiria (só estas duas), já me bastavam para o colocar no meu trono. Ele próprio poeta, D. Dinis deu um grande impulso à cultura. Ordenou o uso exclusivo da língua portuguesa nos documentos oficiais. Fundou em Lisboa, em 1290, um Estudo Geral (Universidade) no qual foram desde logo ensinadas as Artes, o Direito Civil, o Direito Canónico e a Medicina. Mandou traduzir importantes obras, tendo sido a sua Corte um dos maiores centros literários da Península.
No âmbito da agricultura desenvolveu as feiras em diversos pontos do país, e fomentou a exportação de produtos agrícolas, sal e peixe salgado, para a Flandres, Inglaterra e França. Em troca, vinham minérios e tecidos. Estabeleceu com a Inglaterra um tratado de comércio, em 1308. Foi o primeiro grande impulsionador da nossa marinha. D. Dinis facilitou a distribuição de terras, fundou aldeias e estabeleceu toda uma série de preciosas medidas tendentes a fomentarem a agricultura.
Procurou interessar toda a população na exploração das terras, facilitando a sua distribuição. No Entre Douro e Minho dividiu as terras em casais, cada casal vindo mais tarde a dar origem a uma povoação. Em Trás-os-Montes o rei adotou um regime coletivista; as terras eram entregues a um grupo que repartia entre si os encargos, sendo determinados serviços e edifícios comunitários, tais como o forno do pão, o moinho e a guarda do rebanho. Na Estremadura a forma de povoamento dominante foi a que teve por base o imposto da jugada; outros tipos de divisão foram também utilizados como, por exemplo, a parceria. Para saber mais leia D. Dinis in Infopédia, Porto: Porto Editora, 2003-2021. Disponível na Internet: https://www.infopedia.pt/$d.-dinis
D. Dinis nasceu em Santarém, em 9 de outubro de 1261, e era filho de D. Afonso III e de D. Beatriz. Casou com D. Isabel de Aragão e teve dois filhos, D. Constança e D. Afonso, que veio a ser o rei D. Afonso IV.
Foi o sexto rei da primeira dinastia e governou entre 1279 e 1325, tendo iniciado funções aos 18 anos.
O rei que, como ele próprio escrevia, “fez tudo quanto queria”, foi cognominado “o Lavrador” e, tanto ele como sua mulher D. Isabel, sempre se interessaram pelas paragens leirienses, tendo vivido em Leiria e Monte Real.
Foi o rei que mais tempo viveu em Leiria e a ação, por ele desenvolvida, em prol da região é significativa. Fontes históricas diversas revelam que o rei era caçador, e teria feito digressões por terras próximas da Praia do Pedrógão. Relatos orais, chegados através de lendas, mostram que ele teria calcorreado muitos quilómetros, dando corpo a várias digressões amorosas que muito desgostavam D. Isabel. Existe uma terra designada por Amor, bem perto de Leiria, ponto de encontro da escolhida entre muitas das suas amadas. Estes amores entremeavam entre a caça e a observação e gestão corrente das suas políticas, entre elas: introdução e plantação do pinheiro bravo e transformação de regiões, áridas e pantanosas, em terras com outros proveitos. O Pinhal do Urso, bem perto da Praia do Pedrógão, poderá ter feito parte desses percursos, como muitos outros, inclusive os sugeridos pelas lendas de Segodim. O nome desse Pinhal ficou assim cognominado, segundo a lenda, pelo facto de D. Dinis aí ter abatido o último urso existente por estes lugares.
Não admira, dada a sua paixão pelo Pinhal, que tenha sido um dos primeiros grandes impulsionadores da nossa marinha.