6 de Abril de 2020 | Coimbra
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Cernache: “Uma Freguesia apetecível para viver”

14 de Fevereiro 2020

Cernache é “uma Freguesia apetecível para viver”. A afirmação é do presidente da Junta, António Lopes, que realça o crescimento que Cernache tem vindo a registar nos últimos anos, quer a nível de infraestruturas, quer a nível de população. Com uma localização privilegiada, situando-se às “portas” da cidade de Coimbra, tem tudo aquilo que é necessário para garantir qualidade de vida aos seus habitantes, fazendo das pessoas a sua maior prioridade.

Cernache registou um grande crescimento nos últimos anos, sendo hoje “uma Freguesia muito apetecível”. António Lopes, presidente da Junta, congratula-se com o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido, em várias áreas e tendo sempre como foco as pessoas.

Apesar de haver sempre muito trabalho a fazer, está dotada de infraestruturas que respondem a todas as faixas etárias, desde os equipamentos para a infância até aos mais direcionados para os seniores, continuando a trabalhar diariamente para garantir uma “Freguesia dinâmica, segura e onde as pessoas se sintam felizes”, contando para tal com caraterísticas privilegiadas, sendo muito soalheira, com muita água e, ainda, com muitas áreas verdes.

Esses são fatores que continuam a “pesar” nas escolhas de quem quer comprar uma nova casa, assim como a proximidade relativamente a Coimbra, já que muitos dos novos habitantes trabalham na cidade. “Cernache tem sido muito procurada por pessoas de fora para viver, sobretudo por pessoas que trabalham em Coimbra. Estamos muito perto da cidade, temos boas deslocações, é muito fácil e rápida a deslocação e estamos ao mesmo tempo longe mas muito perto da cidade”, explica.

De acordo com António Lopes, “Cernache tem crescido em termos populacionais”, sendo “muito procurada pela classe média/alta que procura aqui a qualidade de vida, a tranquilidade e o ambiente calmo e agradável que não encontra na cidade”.

Os dados do recenseamento aponta para cerca de 5.000 habitantes mas António Lopes assume que “não correspondem aos números reais”. Para já, não tem faltado oferta a nível de habitação e a Freguesia tem ainda “muitas potencialidades para crescer”.

Envelhecimento exige novas respostas

Apesar de atrair novas famílias, Cernache não foge à regra e depara-se também com o aumento da população envelhecida e com as dificuldades e preocupações que advém dessa realidade. A Junta tem procurado criar novas respostas que contribuam para o envelhecimento ativo e com qualidade de vida mas nem sempre tem sido fácil responder a todas as situações.

Brevemente, se tudo correr como previsto, uma nova resposta social surgirá. O Executivo da Câmara de Coimbra aprovou já a cedência da antiga escola primária de Vila Pouca à Freguesia de Cernache, situada na Rua do Barreiro e desativada desde 2007, aguardando o presidente pela assinatura do acordo. Há muito que a Junta aguardava pela cedência daquele espaço, que pretende dedicar especialmente à população sénior, dinamizando aí um conjunto de atividades que permita a sua ocupação no dia a dia, desafiando as pessoas a sair de casa, a desenvolverem alguma atividade ou, simplesmente, a conviverem. António Lopes explica que Cernache é uma Freguesia “muito grande, com as habitações muito dispersas”, que tem “muitas pessoas de idade que se encontram sozinhas e isoladas”. Espera, por isso, que a antiga escola se transforme “num espaço de convívio e lazer”, onde possam partilhar “saberes e histórias de vida”.

Caberá à Junta assegurar toda a logística, incluindo o transporte das pessoas, contando para tal com uma carrinha que está já à disposição desta franja da população, sobretudo para transportar as pessoas para as consultas médicas, ao Centro de Saúde ou hospitais.

De acordo com a autarquia de Coimbra, o edifício vai ser cedido, através da assinatura de um protocolo de cessão precária, por três anos, período que pode eventualmente ser renovado, cabendo à Junta assumir a responsabilidade de gerir o espaço e assegurar todos os encargos logísticos inerentes ao seu funcionamento. Terá ainda que, a cada ano, no mês de janeiro, apresentar o Plano Anual de Atividades a desenvolver nas instalações cedidas.

De acordo com António Lopes, o edifício precisa de “bastantes obras antes de poder acolher as pessoas”, sendo os estragos visíveis no exterior, com os “muros e as redes a cair” e toda a zona a precisar de uma “limpeza profunda”. A nível interior, assume que desconhece o estado do antigo estabelecimento de ensino, uma vez que há vários anos lá não entra, estando as chaves na posse da autarquia.

Para já a escola “está prometida” e a Junta de Cernache aguarda pela assinatura do acordo, na certeza de que este será um projeto que trará grandes benefícios para a população que passará a dispor assim de um espaço que poderá usar como e quando desejar, sendo intenção da Junta contratar um profissional que o dinamize. “As pessoas procuram-nos e questionam-nos. Sabemos que a escola vai ter uma boa utilização. Agora vamos ver, esperar que a promessa se concretize…”, sublinha.

A pobreza escondida

A questão do envelhecimento não passa apenas pela solidão. Há também, como afirma o autarca, muitos casos de pobreza em Cernache, uns mais evidentes mas outros “muito escondidos”. A Comissão Social de Freguesia tem feito um importante trabalho nesse sentido e continua a trabalhar diariamente para assegurar “mais conforto” a quem vive com maiores dificuldades.

“Há situações que nos chocam. Há pessoas que vivem em condições muito complicadas e, muitas vezes, nem é por questões de dinheiro mas sim porque vivem sozinhas e estão isoladas”, conta António Lopes. Há, portanto, casos que exigem atenções especiais por motivos bastante diferentes. Por vezes as pessoas não têm carência de ordem financeira mas acabam por “cair” numa situação de fragilidade porque não têm ninguém que as ajude. É também a essas situações que a Junta tem procurado estar atenta, visitando as pessoas e conhecendo o ambiente em que vivem.

Há também casos de “pobreza envergonhada”, admite o presidente, em que “as pessoas têm vergonha de pedir”, situações que por vezes “passam despercebidas”.

Sempre que há um caso sinalizado, cabe à Comissão Social atuar, sendo frequente apoiar no pagamento de rendas de casa ou de faturas de água e luz. Há também apoios a nível alimentar ao longo do ano mediante as necessidades, tendo sido entregues na época natalícia mais de 60 cabazes de Natal.

As obras prioritárias

A nível de infraestruturas, António Lopes diz que “temos tudo mas falta-nos tudo”. Palavras de um autarca que nunca está “satisfeito” e que sabe que “há sempre muita coisa para fazer”. “Claro que estamos orgulhosos daquilo que fizemos mas queremos sempre fazer mais”, realça, esclarecendo também que muitos dos projetos da Junta são articulados com a Câmara de Coimbra e dela dependem.

Sobre as prioridades, lembra que há a promessa para a construção de um Centro Escolar e alerta para o atual estados de algumas vias estruturantes. Diz que Cernache tem “boas estradas e boas ligações entre todas as localidades, mas algumas mereciam estar melhor tratadas”. Algumas dessas intervenções constam dos protocolos assinados com a Câmara mas, como realça, “desde 2017 que os projetos não chegam assinados, estando todos estes anos em atraso”.

Considera que todas as obras aí contempladas “são importantes” mas destaca, pela urgência e gravidade, a construção de muro e alargamento na Rua Fonte da Lapa, em Casconha, uma preocupação que tem apresentado, por diversas vezes, na Assembleia Municipal. “Temos receio de que haja ali algum acidente grave. É uma estrada estruturante, o dono do terreno cede-o, mas o projeto não vem da Câmara e a obra continua sem ser feita. Receamos que, qualquer dia, vá abaixo”, sublinha, adiantando que o próprio presidente da Câmara, Manuel Machado, reconheceu a urgência de realizar aquela obra, assegurando que o problema do financiamento seria resolvido.

Depois, ainda nesta área da mobilidade, há também a questão das vias que precisam de novos tapetes, sendo a situação mais “melindrosa” a que se verifica na zona de Orelhudo, uma zona “emblemática porque é um local de entrada e saída da Freguesia”. Lembra que Orelhudo faz parte do concelho de Coimbra mas, logo a seguir, do de Condeixa, sendo quase “criminoso ir de Condeixa numa estrada boa e chegar ao Orelhudo e deparar-se com uma estrada do terceiro mundo, toda esburacada”. António Lopes diz que já alertou a Câmara para esta situação, sensibilizando também para o facto de por ali passarem muitos turistas que visitam o património histórico de Condeixa.

A ligação entre Cernache e Vila Pouca é outra das que precisa de uma intervenção urgente, estando o tapete bastante degradado. Há também várias obras necessárias a nível de construção e reparação de passeios, valetas e os necessários arranjos no Pavilhão Multiusos, portanto tudo obras que visam assegurar a qualidade de vida e a segurança de quem se movimenta na Freguesia.

De resto, em termos de rede viária, António Lopes considera que Cernache está bem, com todos os lugares da freguesia ligados, faltando apenas melhorar a qualidade de alguns tapetes.

Recinto da Junta é “cartão de visita”

Com muita água e sol, Cernache é muito fértil, sendo a agricultura um dos setores ainda muito representativos da Freguesia. Esta produtividade tem ajudado, aliás, a promover este território, sobretudo através das cebolas, que todos os anos, no mês de agosto, trazem milhares de tranças para a Baixa de Coimbra, mostrando à população e aos muitos turistas um pouco das vivências e das tradições do meio rural.

Estas caraterísticas naturais levaram também, em tempos idos, à criação dos muitos moinhos de água que povoam o território, um património que Cernache tem vindo a promover e a manter vivo no Museu Moinho da Lapa, criado há 11 anos e que dá a conhecer o ofício do moleiro.

Esse Museu, que resultou da transformação de uma antiga e modesta habitação de um moleiro em espaço museológico, é uma das muitas atrações de uma das zonas centrais de Cernache, o recinto da sede da Junta de Freguesia.

Este espaço, que acolhe todos os anos a Expo-Cernache, tem vindo nos últimos anos a ganhar outro brilho, assumindo-se hoje como uma espécie de “cartão de visita” da Freguesia. A par com os serviços e equipamentos que ali se encontram, o espaço exterior transformou-se num palco de lazer, cultura, desporto e lazer.

A Junta construiu aí um palco fixo, aberto a todas as pessoas e coletividades da Freguesia para as várias realizações, e criou uma espécie de jardim, que conta com vários equipamentos desportivos que desafiam a comunidade a cuidar do corpo e da mente. Naquele agradável espaço predomina ainda o verde e há também um parque infantil, reunindo assim atrações para toda a família. António Lopes diz que é frequente ver as pessoas a passear por ali, a caminhar, fazer algum exercício ou, simplesmente, a beber um café.

A ideia do executivo era “transformar o recinto num espaço de lazer, com atrações para todas as idades”, um objetivo que foi conseguido. É essa dinâmica que quer manter na Freguesia e que quer mostrar a quem a visita.

Aproveita, por isso, para fazer um convite a todos para que vão conhecer Cernache. Lamenta que não existam mais restaurantes na Freguesia, que tem uma “gastronomia tão rica, onde sobressai a chanfana de borrego, e também uma boa doçaria”, destacando nestes doces sabores a escarpiada de Cernahe. A tudo isto, junta-se ainda a parte histórica, já que se trata de uma Freguesia que “já foi concelho, já teve prisão e continua a ter algumas casas brasonadas” que merecem ser visitadas. Apesar de não passar (ainda) de um sonho, partilha que gostaria de ver a área central de Cernache com outra vida, transformando-a num palco do comércio tradicional.

António Lopes garante que “é bom viver em Cernache” e realça que o objetivo da Junta é “garantir que assim continue, lutando todos os dias para que assim seja”.

“Por vezes, não é fácil, até porque estamos também dependentes de terceiros para realizar o nosso trabalho. Vontade e ânimo para trabalhar não nos falta. Pode haver entidades que nos querem empurrar para trás mas nós somos mais fortes e só andamos para a frente”, termina.


  • Diretora: Zilda Monteiro

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