O dia 1 de abril de 2026 entrou para a história de Cernache como o momento da restauração de um orgulho antigo. Quase dois séculos depois de ter perdido a sua autonomia administrativa, a freguesia viu finalmente aprovada, na Assembleia da República, a reposição do estatuto de vila. O diploma reconhece o peso histórico, social e económico de uma localidade que nunca aceitou o despromovimento sofrido durante as reformas do século XIX.
A história da perda deste estatuto remonta ao Decreto de 6 de novembro de 1836. No âmbito da profunda reorganização administrativa levada a cabo por Passos Manuel, que extinguiu cerca de 498 concelhos em todo o país, Cernache viu o seu município ser dissolvido.
Até então, a localidade gozava de uma posição de prestígio: elevada a vila por carta de D. João I em 1420 e com foral outorgado em 1514, Cernache era uma sede de concelho com ampla jurisdição e reconhecida autonomia face à cidade de Coimbra.
Com uma área de 20 km² e uma localização privilegiada a apenas 8 km de Coimbra, a restituição do estatuto de vila é encarada como um catalisador para o futuro. “Trata-se da correção de uma injustiça e da restituição de um valor que Cernache nunca deveria ter perdido”, refere o Executivo de Cernache, que deslocou-se até Lisboa para receber com grande entusiasmo esta boa-nova.
Para os cernachenses, o 1 de abril deixa de ser o “dia das mentiras” para passar a ser, oficialmente, o dia de uma verdade histórica recuperada.