12 de Maio de 2021 | Coimbra
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JOÃO PINHO

As fitas da Queima de 2019

17 de Maio 2019

As tradições académicas ligadas aos estudantes da Universidade de Coimbra sempre se confundiram com a irreverência, rebeldia e excessos da juventude dos seus membros.

O desfile ou cortejo dos finalistas é, de há muito, o clímax de um ambiente libertário e contestatário que se forja e anima nos bastidores da comunidade, fruto do convívio entre gerações com ligações a diversas partes do país e do mundo, do conhecimento transmitido pela palavra e escrita – tantas vezes cruzado com os ensinamentos tirados na Universidade da Vida.

Um momento importante para a vida social e económica da cidade, que atrai milhares de pessoas, e que fica gravado para sempre na memória de quem nele participa. A decadência moral desta tradição tem sido referida nos últimos anos, em especial por antigos estudantes, que criticam o consumo de álcool e outros excessos, em detrimento da crítica social, sátira e humor.

Foi nesta lógica que este ano rebentou a polémica com o carro de História, em que um grupo de estudantes usou o tema do Holocausto de forma despropositada, merecendo a repulsa em abaixo assinado onde constam o nome de 71 professores da faculdade respetiva.

Um momento triste que merecia, a meu ver, uma reflexão mais alargada dentro da instituição universitária e que passaria pela formulação de duas perguntas:

  1. O que levou alunos finalistas do curso de História a desprezarem a memória da humanidade?

  2. Que metodologia de ensino foi aplicada ao ponto de ter permitido a ridicularização dos próprios conteúdos do curso ministrado?


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