18 de Abril de 2024 | Coimbra
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Horácio Santiago

As cheias voltaram ao CEIRA

13 de Janeiro 2023

As cheias do rio Ceira remontam há séculos e são uma caraterística que todos conhecemos.

A não ser assim, o rio estaria 30 a 40 metros mais fundo e não tínhamos campos de aluvião, que se foram formando com as terras e sedimentos que o rio foi arrastando e que foram transformando e estrumando a várzea de Ceira, onde outrora se cultivou o linho, que era tratado nos pisões do rio Ceira e depois abastecia os teares, hoje designados por “de Almalaguês” e outrora de Ceira.

Nestes terrenos de aluvião criaram-se as couves, o feijão, a laranja e a tangerina que abasteciam o mercado de Coimbra e, mais recentemente, foram viveiros de árvores de fruto, que Ceira vendia para todo o país.

Hoje, resta muito pouco destas realidades recentes, os terrenos e o rio estão abandonados, cheios de lixo, mato, árvores arrastadas pelas águas, proliferam as acácias, os marachões não são arranjados à décadas e os salgueiros, da borda de água tombam para o leito do rio, havendo sítios onde não se vê o rio.

A única limpeza do rio Ceira, com intervenção pública, foi feita há mais de vinte cinco anos.

Estas são algumas das razões naturais porque o Cabouco é noticia cada vez que o rio enche.

Existem, porém, outras que não têm nada de natural, são fruto da incúria, do esquecimento ou do desconhecimento.

Comecemos, pelo Cabouco. O leito do rio faz uma garganta junto á ponte, apertado pelas casas que foram construídas no leito de cheia e pela própria ponte que é baixa e estreita. A estrada que faz a ligação ao lugar, construída em cima de manilhas estreitas, pequenas, poucas e entupidas pelo lixo, faz um efeito de barragem à vista de qualquer olho.

Mais abaixo, na entrada da Boiça, continua a ponte velha, que além de estrangular o rio e reter a lenha que nestas ocasiões vem rio abaixo, é extremamente perigosa e completamente insegura para quem a atravessa a pé ou de bicicleta, trator e carro, mesmo no verão, quando o rio leva pouca água.

Esta ponte devia ser destruída, eventualmente, deixando parte dos apoios, para, no verão, fazer um pequeno lago, com travessas amovíveis, porque poderia ser uma pequena praia fluvial.

Aproveito, ainda, para dizer que, infelizmente, continua-se a construir e a ocupar o leito de cheia dos rios com a aquiescência de quem devia cuidar destas questões relacionadas com o ambiente.

Ceira, 10/01/2023


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