27 de Setembro de 2021 | Coimbra
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MANUEL BONTEMPO

Artes & Artistas

7 de Junho 2019

O artista é por natureza um constante insatisfeito.

Ai daquele que pensa que chegou ao alto da montanha e que forneceu aos outros o sumo da criação.

Chegado a este ponto, temos de esclarecer e aprofundar o caráter humano dos atos porque um artista realiza uma obra de arte. A insatisfação (não confundir com desinteresse) é um processo por onde se pode chamar os artistas à responsabilidade moral dos seus atos.

Conceber é um ato mental e executar é um ato físico, que define o artista. Pintar por pintar, sem racionalização, sem qualquer lei moral, por devaneio, por capricho ou narcisismo, é erro crasso e um atentado à cultura artística.

Hoje em dia pinta-se enfaticamente ou snobismo, sem o ato volitivo educado, sem o conhecimento mais elementar das regras. Ironiza-se a pintura, com frequência, com absurdos ou os chamados fenómenos teratológicos, de pintores domingueiros que surgem por favor em tudo o que é sítio, em ingénuas simplificações ou em banais esquematismos idealistas ou livrescos duma suposta filosofia cultural. E estética chegando a proclamar as suas obras como motivos exclusivos da arte!

São os “parvus” que apresentam enfaticamente os seus quadros repletos de modernos, num copismo gritante, numa tralha que lembra as gravuras atulhadas de cores como os velhos florentinos, que pintavam para ridicularizar a sociedade, eles mesmo mestres, mas que se entretinham, de vez em vez, a pintar grosseiramente para o gáudio do indígena.

No meu estado de saúde crónico e grave tenho recebido em casa pintores que não deixam morrer a memória dos famosos pintores que tanto fizeram por Coimbra.

A eles também como crítica devemos muito quando nos deliciamos com as suas magníficas obras.


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