Nem todos os crimes são de foro psíquico, mas antes de indivíduos criminosos natos, que andam pela sociedade, Estado e autarquias, de vez em vez, mas esta nossa sociedade tem hábitos adquiridos, mórbidos, que muitos ficam pela discrepância ou exegese dos textos da lei.
Vive-se, em resumo, um período conturbado, de mal estar social em que o crime está sempre ao lado da primeira esquina.
A virtude da justiça estabelece-se sobre uma relação do imediato, da honestidade em julgar, sem delongas, com a relação de proximidade, no tempo e no espaço, ou seja, pela instituição do Direito, não ferindo o lesado mas punindo o criminoso no adágio latino “suum cuique tribune” a cada qual o que é seu.
Há uma visão dantesca ou regressiva que nos deixa, tantas vezes, atónitos, como a criminalidade do dia a dia, de gente do crime organizado sem o caráter intersubjetivo de responsabilidade.
Mata-se. Rouba-se. Executam-se mil maneiras de lesar os valores éticos e morais dos cidadãos que cumprem o seu dever.
Devia existir uma espécie de absolutização do castigo como função primária do Bem, mesmo que a justiça tenha, em certos casos, uma conceção psico-noética dos processos do conhecimento humano do crime e das esferas universais do banditismo servindo com eficácia a sua missão no combate a esta praga que esmaga os valores sagrados das comunidades e falseia o sentido histórico de uma terra, de um povo, de um país.
Deixámos há muito de ser um país de brandos costumes ou de santa beatice e de repente surgiu uma onda imensa de crimes multifacetados, uma bizarra universalização do crime, num constante atentado à lei.