6 de Dezembro de 2019 | Coimbra
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JOÃO PINHO

Ao correr da pena… Novembro

29 de Novembro 2019

O mês que finda foi o mês da esperança. A chuva que começou a cair em outubro continuou, reabastecendo as nascentes, regularizando níveis das barragens, colocando um ponto final na seca prolongada que tem afetado vários pontos do país. Respira-se melhor no mundo agrícola e florestal nacional – os campos reverdeceram, a natureza reequilibra-se!

Foi o mês de pedir pelas almas, do Halloween, dos magustos, da apanha da castanha para assar e cozer, de provar o novo vinho e de celebrar S. Martinho, este ano sem o verão que o acompanha, e de ir aos míscaros aproveitando a concentração de humidade na terra.

Na Assembleia da República sopraram ventos de mudança. Os pequenos partidos conseguiram ser mais falados do que os grandes. Nem sempre pelos melhores motivos, é verdade, por vezes com a dúvida instalada: qual a verdade da mentira ou a mentira da verdade? Teme-se, por um lado, o populismo do Chega, e duvida-se da gaguez de Joacine, enquanto Mamadou Ba anuncia que vai sair do Bloco e criar um partido para defesa dos direitos dos negros.

Coimbra agitou-se politicamente. A eleição para a concelhia PSD revelou um partido dividido internamente o que em democracia é salutar. A vitória na comissão política concelhia sorriu à lista A (Coimbra nossa causa), sufragando o jovem e promissor Carlos Lopes (até então vice-presidente) por uma diferença de 10 votos face a Barbosa de Melo. Já para a mesa do plenário o resultado foi diferente: venceu a lista B (renovar para reforçar), com Mota Pinto a derrotar Carlos Encarnação. Em suma: foram derrotados dois ex-presidentes da Câmara Municipal de Coimbra – factos de significativas relevâncias e a merecerem leitura atenta pelos novos órgãos de poder social democrata.

As eleições para a Federação Distrital de Coimbra do PS começam também a mexer com pessoas e instituições. João Portugal já avançou, Nuno Moita anunciou, pouco tempo depois, no plenário de militantes socialistas ser também candidato. Pelo que se vai sabendo outras potenciais candidaturas poderão perfilar-se, trazendo o essencial sabor democrático às hostes socialistas.

Fazendo jus a Coimbra, capital do conhecimento e da cultura, continuam os ecos das comemorações dos 900 anos de Almedina. Em especial a recriação em 3D de Coimbra medieval, proposta ousada dos arquitetos e investigadores Isabel Anjinho e Ruben Dias – que mereceu ampla cobertura não só da imprensa local mas também de estações televisivas. Coimbra destacada por aspetos positivos merece sempre aplausos!

Ainda no campo cultural foi notícia de certa expressão, a realização da terceira edição do ano zero (bienal de arte contemporânea de Coimbra), iniciativa conjunta da CMC, Centro de Artes Plásticas e UC, que conta com a participação de 39 artistas de 21 países e que estará patente até final de dezembro na Sala da Cidade e Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, entre outros espaços dispersos pela cidade.

No campo desportivo a seleção nacional de futebol está de parabéns! Depois de um início de qualificação menos conseguido apurou-se, com naturalidade, para o Euro-2020, dando sequência aos apuramentos iniciados em 1996.

Ainda no plano desportivo a Académica tarda em afirmar-se. A equipa parecia capaz, mas os resultados têm sido sofríveis. Faltou talento, dinheiro para bons jogadores e a equipa técnica, talvez fruto de alguma inexperiência, demitiu-se. Entretanto, os sócios votaram pelo não à constituição de uma SAD, preferindo o orgulhosamente sós. Em paralelo, a cidade e região parecem adormecidas em torno de um dos seus principais símbolos. Quo vadis?


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