18 de Abril de 2024 | Coimbra
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Sansão Coelho

ANTÓNIO ATAÍDE e VÍTOR ALMEIDA E SILVA COM ZECA NA GARGANTA

28 de Abril 2023

ANTÓNIO ATAÍDE e VÍTOR ALMEIDA E SILVA COM ZECA NA GARGANTA

Não são jovenzinhos, têm estatuto sedimentado devido a percursos de vida e profissionais já assegurados e que os leva a fazer do canto um ato de paixão:  julgo não estar enganado. As suas vozes não estarão na mesma sintonia da voz do saudoso Zeca Afonso, contudo há algo que os liga ao autor da Grândola para além do repertório: põem emoção, sentimentalidade e algum tom reivindicativo no seu cantar. Preocupam-se com a arte de cantar bem e foi isso que sempre admirei nos fados e canções do Zeca Afonso, a boa música, a boa composição, o cantar bem. Aliás, sempre acompanhado pelos melhores, e muito tempo por Rui Pato que é, iniludivelmente, um dos maiores de sempre a dedilhar a viola. E destaco-o como acompanhante do Zeca apesar de Coimbra ter uma plêiada de instrumentistas em guitarra e viola. António Ataíde e Vítor Almeida e Silva cantam em público, há bastante tempo, com classe, discretos e numa atitude que só os eleva de reverência a José Afonso. Vamos iniciar MAIO, MADURO MAIO e talvez por isso tenha evocado estes dois cantores zecafaonsinos. Ambos, no entanto, ganharam notoriedade, a nível nacional, com a participação em programas televisivos de descoberta de talentos. Nestes programas o Fado e a Canção de Coimbra raramente apareciam e o Vítor e o António Ataíde deram visibilidade a este género musical; e as suas vozes ajudaram a prestigiar o que já dificilmente pode ser mais prestigiado.

 

AS MULHERES NO FADO DE COIMBRA

No final do século dezanove e nos primórdios do século vinte o Fado Académico ganhou autonomia. Personalizou-se. A atuação de Augusto Hilário, em Lisboa, para um grande público, emancipou o Fado de Coimbra. Deu-lhe asas. Passou, também, a estar envolvido nas tradições da Academia. E ganhou relevo nas Serenatas, cantos de homenagem de expressão de amor dos rapazes cantores às raparigas. As mulheres, nessa ocasião, tinham uma expressão ínfima na Universidade. Os estudantes procuravam cultivar o amor junto das raparigas de Coimbra, mesmo que esse fosse um amor efémero resultante do trânsito que faziam pela cidade, o tempo dos seus cursos. As raparigas de Coimbra cantavam em ranchos, nas fogueiras, nos salões e não cantavam na Academia. Os tempos mudaram e, hoje, temos mais mulheres do que homens a frequentarem o ensino superior, pelo que é óbvio que as raparigas podem e devem surgir a cantar o fado e canções de Coimbra e, por mim, até acho giro que elas façam serenatas aos seus namorados.

 

UM RAMO DE MAIAS À PORTA

Se me permitem, fico por aqui e vou colher um ramo de giestas (maias) para as colocar na minha porta e à porta de O DESPERTAR, e espero que acompanhado, entre outros, pelos moradores de Taveiro que assim faziam, para recebermos o 1º de maio, nesta próxima segunda-feira que é sinónimo, segundo a tradição, de entrarmos em tempo de verão, ainda longe do calendarizado junho, é certo, mas com este sol e calor… o verão já cá canta. A tradição ensina. Maio, Maduro Maio.

 


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