A Coligação liderada pelo Partido Socialista que prepara a candidatura à Câmara Municipal de Coimbra nas próximas eleições autárquicas apresentou-se publicamente na passada quarta-feira e assinou a proposta de constituição com as demais forças que a constituem: LIVRE, PAN e Cidadãos por Coimbra. Adotando a designação “Avançar Coimbra”, esta candidatura vai apresentar Ana Abrunhosa como cabeça de lista que deverá estar concluída dentro de duas a três semanas e incluirá elementos de todas as forças da coligação bem como alguns independentes.
Adotando a designação “Avançar Coimbra”, a candidatura da coligação que Ana Abrunhosa vai liderar deverá estar concluída dentro de duas a três semanas e incluirá elementos de todas as forças da coligação bem como alguns independentes.
Todo o processo de preparação, constituição e formalização da candidatura desta coligação tem sido complexo e ferido de alguma instabilidade suscetível de lhe afetar a pujança com que provavelmente os seus mentores perspetivaram para que se apresentasse ao eleitorado como uma alternativa forte e mobilizadora junto do eleitorado. Explicando melhor: a candidatura, no seu essencial, tem vindo a ser preparada pelo núcleo essencial constituído pela equipa de Ana Abrunhosa, juntamente com outros elementos dos partidos e movimentos aderentes e outras pessoas da sua confiança. Esta estrutura tem estado unida mas com o decorrer do tempo no interior do partido principal, o PS, gerou-se alguma impaciência por falta de informações. Nomeadamente no que respeitava ao peso que o PS viria a ter, ou a não ter, na candidatura. Competiria a Ricardo Lino, presidente da Comissão Política Concelhia e do respetivo Secretariado, fazer a ponte entre o partido e o núcleo liderado por Ana Abrunhosa. Mas Ricardo Lino não desempenhou esse papel de modo a manter toda a gente informada e tranquila, tecendo na última reunião do Secretariado fortes criticas aos métodos de Ana Abrunhosa, o que mais intranquilizou os seus pares. Levado o assunto à Comissão Concelhia, chegou a temer-se a rutura da coligação já anunciada mas houve quem pusesse mão no assunto e, do outro lado, decidiu-se logo para o dia seguinte a apresentação pública da constituição da coligação, como atrás referimos. E passou-se adiante, como se tudo tivesse navegado sempre em águas tranquilas.
Tudo mais calmo mas nem tudo resolvido
Verdade se diga que as coisas agora estão mais calmas. Mas a provar a não sintonia entre o PS e o Núcleo central da coligação está um facto que não pode deixar de ter o seu significado. Na reunião da Concelhia do PS, foi decidido indigitar e apoiar a recandidatura de Luís Marinho à presidência da Assembleia Municipal. Foi na mesma reunião em que Ricardo Lino anunciou aos seus pares que iria ser o segundo elemento da lista dos vereadores (até dias antes falava-se nele para a terceira posição). A indigitação de Luís Marinho foi aclamada e ele próprio assumiu nas redes sociais sentir-se lisonjeado pelos apoios dos seus “camaradas”.
Mas eis que na assinatura pública da constituição da “Avançar Coimbra” Ana Abrunhosa veio assumir que nem a lista de vereadores nem a lista para a Assembleia Municipal estavam constituídas. Para a Assembleia Municipal então essa nem falada havia sido ainda, pelo que o putativo candidato à presidência da AM não poderia estar nada indicado. Foi clara ao dizer isso de forma inequívoca, como não deixou passar em claro também o desejo de Ricardo Lino em querer assegurar o segundo lugar a pensar na hipotética vice-presidência da Câmara, dizendo que quem indica essa função é o presidente e não é o partido. Se à tarde Ana Abrunhosa não escondeu não haver ainda ninguém indicado para a liderança da Assembleia Municipal, à noite, em nova reunião havida no hotel D. Luís, quer a nível da Federação Distrital quer da Concelhia, voltou a ser reafirmado o apoio praticamente unânime do PS a que Marinho seja o candidato à presidência da Assembleia Municipal.
Mais uns dias e os mais ansiosos por lugares deixarão de esvoaçar
Apesar destes encontros e desencontros tudo indica que até finais de julho tudo esteja decidido em termos de listas, a questão que tanto tem preocupado alguns dos intervenientes principais. Mas a forma como se referiu ao assunto, mostrou claramente que Ana Abrunhosa não gostou que o PS tivesse sugerido o nome de alguém sem previamente se ter articulado consigo, responsável primeira pela coligação.