17 de Novembro de 2019 | Coimbra
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Algarve quer ser destino mundial do poker

16 de Outubro 2019

A região económica do Algarve depende do turismo para sobreviver, e os últimos anos são indicativo de uma aposta num novo elemento atractivo para a zona Sul do nosso país: o poker. O centenário jogo de casino é algo a que os portugueses estão cada vez mais habituados, mas a sua popularidade não se esgota nas fronteiras nacionais. Muitos turistas estrangeiros têm visitado o Algarve com o intuito de jogar poker, naquela que promete ser uma das novas estratégicas turísticas da região.
O investimento algarvio no poker não começou apenas este ano, mas tem 2019 como o importante ponto de viragem. No centro desta nova aposta encontra-se o Casino de Vilamoura. Tal como foi reportado pelo Jornal Económico em Setembro do actual ano civil, Joel Pais, administrador da Solverde, está interessado em continuar a trabalhar para o desenvolvimento da modalidade, e o Casino de Vilamoura continua a estar na linha da frente no que toca à aposta e difusão do poker. No entanto, novas legislações de controlo e regulação do jogo online, que entraram em vigor em Portugal a partir de 2015, podem representar uma ameaça ao sucesso deste investimento. Ainda assim, o futuro parece risonho para o poker em Portugal, e em especial na região do Algarve.

WPT DeepStacks Portugal 2019

O WPT (ou World Poker Tour) é uma série de campeonatos de poker fundada pelo produtor televisivo Steven Lipscomb, que organiza torneios em vários países do mundo que contam frequentemente com a presença de vários jogadores profissionais e que oferecem prémios extremamente atraentes. Em 2019, o Casino de Vilamoura provou mais uma vez estar na linha da frente no que toca ao investimento no poker no nosso país, quando oficializou a realização do WPT DeepStacks Portugal 2019, um campeonato com assinatura do World Poker Tour que consistiu num dos maiores eventos do género de sempre em Portugal.
O torneio decorreu entre 31 de Agosto e 8 de Setembro e atraiu não só os principais jogadores de poker profissionais portugueses, como vários nomes de relevo da cena internacional. Um campeonato de grande nível com um buy-in (preço de entrada) na ordem dos €1,200 e um valor total de prémios avaliado em €250,000.
Iniciativas como o WPT DeepStacks Portugal 2019 são cada vez mais raras em Portugal, pelo menos desde que em 2015 novas regras relacionadas com a regulação da modalidade ao nível dos serviços online contribuiu de forma inexorável para a diminuição do número de possíveis patrocinadores. Ainda assim, o torneio contou com o apoio do recém-chegado grupo empresarial de jogos de casino virtuais 888 Holdings, uma das mais recentes marcas a obter uma licença de exploração de jogos de sorte e azar no nosso país.
Tal como Joel Pais explicou ao Jornal Económico, nem mesmo um torneio como o WPT DeepStacks Portugal 2019 foi capaz de rivalizar com os eventos de poker portugal que os administradores do Casino de Vilamoura eram capazes de produzir há cerca de 10 anos. O maior alguma vez registado aconteceu antes das novas regras de licenciamento terem entrado em vigor; contou com a presença de cerca de 800 participantes e com um prize-pool (prémio total) de €1,5 milhões.

Os actuais desafios do poker

Num momento em que se intensifica a discussão em torno de uma possível entrada do poker no leque de modalidades olímpicas já disponíveis, tem existido simultaneamente uma crescente discussão em torno das dificuldades que a popularidade do jogo representam. Nomeadamente, riscos associados com problemas de jogo a dinheiro e com o facto de, tal como várias outras modalidades de casino, o poker ser extremamente aditivo e atractivo para menores de 18 anos.
Os grandes responsáveis pelo revivalismo do poker são hoje em dia os serviços digitais. Nem mesmo as regras cada vez mais fechadas de controlo e manutenção deste tipo de serviços parece ter desacelerado o investimento feito por empresas e empreendedores. Portugal é um dos mercados mais atractivos para companhias do género na Europa; o nosso país pode não ter tantos habitantes como os vizinhos da Espanha ou da França, mas tem características especiais no que toca ao poker: no nosso país, existe uma cultura forte associada ao jogo de casino, cada vez mais jogadores profissionais, e um interesse crescente por parte do público na utilização dos dispositivos virtuais de poker.

Tendência para crescer

Números recentemente partilhados pela SRIJ – Sociedade de Regulação e Inspecção de Jogos – parecem apontar para uma quebra das receitas de jogo a nível territorial, mas indicam que no último ano houve um aumento da participação dos portugueses no poker online. Os números são apenas ultrapassados pelos do ano de 2017, mas o SRIJ indica que existe uma tendência para que as estatísticas sejam mais favoráveis no vindouro ano de 2020: afinal, a organização emitiu 3 novas licenças para a actividade de exploração de jogo online em Portugal ao longo da primeira metade do presente ano civil.
Quanto à região económica do Algarve, espera-se um 2020 com muito poker e muitos turistas de nicho, com o Casino de Vilamoura a liderar o investimento na modalidade, e com cada vez mais patrocinadores interessados na exploração de torneios e eventos relacionados com o popular jogo de casino.


  • Diretora: Zilda Monteiro

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