17 de Abril de 2024 | Coimbra
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Paulo Ilharco

ÁGUA/MÁGOA

27 de Janeiro 2023

Tu viste-nos, Mondego, chorar tanto,

Que crias haver cheias nas paixões.

Era tão copioso o nosso pranto,

Que inundava os amantes corações.

 

Tu transbordavas noutras situações,

Em que de águas revoltas era o manto,

Cobrindo as tuas margens que, nos V’rões,

Eram ávidos leitos com encanto.

 

Todavia, tais lágrimas à foz

Não iam desaguar. Ninguém, só nós

Podíamos chorar, fosse o que fosse.

 

E por mais que tentasses imitar

O sal da mágoa, o nosso soluçar,

Chorarias, apenas, água doce!


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