6 de Dezembro de 2019 | Coimbra
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Acreditar já apoiou mais de 10.000 famílias de crianças com cancro

18 de Outubro 2019

A Acreditar – Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro que nasceu da vontade dos pais de criar uma associação que os ajudasse a responder aos problemas que sentiam no dia-a-dia já apoiou mais de 10.000 pessoas ao longo dos seus 25 anos de existência.

A associação assinalou no sábado este aniversário com caminhadas que decorreram, em simultâneo, em Coimbra, Lisboa, Porto e Funchal, cidades onde está presente, assegurando um conjunto de respostas que vão ao encontro das necessidades dos doentes e familiares. Em declarações à Lusa, a diretora-geral da Acreditar, Margarida Cruz, recordou a história da associação e falou dos desafios que hoje se colocam aos doentes e às famílias.

Na altura em que foi criada, em 1994, os pais já encontravam “um bom tratamento a nível médico nos hospitais, embora a taxa de cura no cancro infantil ainda não fosse a de hoje, que é bastante boa”, mas “sentiam que nada nos hospitais estava pensado em função das crianças”, recordou Margarida Cruz.

Era preciso humanizar os espaços dos hospitais onde as crianças estavam dias inteiros à espera de um tratamento e criar alojamentos para as famílias que vinham de longe para apoiar os filhos nos tratamentos, apenas feitos no Porto, Coimbra e Lisboa e alguns de continuidade no Funchal.

“Estes pais começaram a sentir todas estas necessidades que eram muito grandes há 25 anos e resolveram juntar-se e criar uma associação que respondesse a essas necessidades que sentiam no seu dia-a-dia”, contou.

Mas à medida que algumas destas necessidades foram sendo colmatadas, foram aparecendo outras às quais a Acreditar tem procurado dar resposta.

“Temos vindo a trabalhar com os hospitais [ao nível da sua humanização], “temos cerca de 600 voluntários que dão apoio nos hospitais, nas casas da Acreditar e também no domicílio”, referiu, acrescentando que foram construídas três casas de acolhimento em Lisboa, Coimbra e Porto que já abrigaram gratuitamente 1.224 famílias, tendo havido já casos de famílias que estiveram mais de quatro anos nas casas da Acreditar, a maioria oriunda dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), que “não conseguem ir a casa nos intervalos dos tratamentos”.

Os tempos de permanência nas casas das famílias que vêm dos Açores e da Madeira rondam em média um ano e o das famílias do continente cerca de 40 dias.

Depois destes desafios, surgiram outros relacionados com a escolaridade aos quais a Acreditar tem respondido, dando apoio às crianças e jovens para recuperarem as aulas perdidas.

“Também começámos muito timidamente a tentar apoiar alguns jovens que tinham mais dificuldade” e já foram atribuídas 22 bolsas de estudo com o apoio de diversas entidades, disse Margarida Cruz.

Atualmente, os “principais desafios” prendem-se com os rendimentos que as famílias perdem quando têm uma criança com cancro, porque um dos pais se desempregou ou passou a ganhar menos para acompanhar o filho numa doença que tem um tempo longo de tratamento.

Muitas vezes também há um acréscimo de despesas porque as pessoas têm de se deslocar e continuar a apoiar a família que ficou no local onde reside.

Fazendo um balanço dos 25 anos, Margarida Cruz diz que a associação veio preencher “uma lacuna em vários sentidos”.

“O facto de sermos uma associação de pais dá-nos a legitimidade de perceber o que é que os pais precisam”, sublinhou, porque “eles fazem parte do processo de decisão”.

Por outro lado, o apoio emocional e psicológico dados às famílias, aos jovens e às crianças também “é fundamental para o equilíbrio destas famílias não só durante o tempo da doença como também no futuro”.

A Casa da Acreditar de Coimbra foi a terceira a abrir no país, funcionando desde 2009. Está situada junto ao Hospital Pediátrico, dispondo de 20 quartos e muitos espaços comuns de convívio e logística. As famílias vindas de longe encontram aí “um lugar humanizado, onde podem assegurar facilmente os tratamentos dos seus filhos e reorganizarem a sua vida com condições dignas”. Todo o trabalho desenvolvido pela Acreditar é feito em estreita colaboração com o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, nomeadamente através do Serviço Social, que encaminha as famílias para esta Casa.

De acordo com os dados divulgados, em 2018 recebeu 141 famílias, que aí permaneceram durante 4.754 noites. A taxa de ocupação foi de 65 por cento.


  • Diretora: Zilda Monteiro

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