A Academia de Coimbra já viveu a Festa das Latas e de Imposição de Insígnias, realização que considero ser o segundo maior acontecimento festivo para os estudantes, levando em linha de conta que a festa maior é a da Queima das Fitas. Este ano, a SERENATA, que decorreu no Largo da Sé Nova, entre alguns pingos de chuva, foi uma realização com boa qualidade merecendo elogios todos os que participaram, dos instrumentistas aos cantores; e há, também, aplausos para a organização e para a Associação Académica. A presença de malta jovem e a marca da presença forte da Secção de Fado foram e serão sempre uma mais valia. Os espetáculos noturnos desta Festa constituíram, como sempre, ponto de encontro, de alegria e confraternização. E de muita música: de fora e da casa académica. O cortejo da Latada vem perdendo de ano para ano aquele incisivo desfilar de crítica social e de sátira política o que é pena porque era um retrato e análise das sociedades ao longo dos tempos. Interrogo-me por que será que tem baixado o número de cartazes que eram a montra das diversas críticas? Noutros remotos tempos de ditadura o cortejo das Latadas servia para criticar o que não podia ser criticado de forma regular, em público, e na comunicação social então existente sob Censura. Nesses tempos mais afastados, visual e metaforicamente, os estudantes ousavam e criticavam, fortemente, os males da sociedade académica e da sociedade em geral. Admito que a liberdade de hoje dificulte a criatividade e as ações críticas podendo retirar-lhes temas e conteúdos, porém, este ano, e de forma organizada, quer no Cortejo das Latas quer nos espetáculos noturnos houve uma mensagem que atravessou tudo e todos: a CRISE DA HABITAÇÃO que é também a CRISE DOS QUARTOS PARA ESTUDANTES e das REPÚBLICAS. É urgente conseguir resolver este magno problema que afeta o país de norte a sul levando à especulação. A Academia de Coimbra, nesta sua “primeira” festa, esteve ativa e solidária, dizendo que a crise da habitação e a do alojamento estudantil precisa de ser extinta. O Cortejo abriu com este tema forte. E os estudantes de Coimbra “disseram”: TOMEM MEDIDAS, ESTA CRISE NA HABITAÇÃO NÃO PODE CONTINUAR. HABITAÇÃO, UMA URGÊNCIA SOCIAL.
JOSÉ CARLOS VASCONCELOS RECEBE PRÉMIO RODRIGUES SAMPAIO
Nome inesquecível na Academia de Coimbra e vulto proeminente da cultura portuguesa, JOSÉ CARLOS DE VASCONCELOS, de 86 anos, foi distinguido, recentemente, com o prémio Rodrigues Sampaio 2026 atribuído pela Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto e com o patrocínio da Câmara Municipal de Esposende. Natural de Freamunde, JOSÉ CARLOS DE VASCONCELOS foi um ativo dirigente estudantil na Academia de Coimbra e integrou o TEUC – Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra tendo sido também chefe de redação do jornal académico Via Latina. A aura da sua presença ainda hoje se repercute na cidade do Mondego. Poeta, jornalista, homem da cultura distinguiu-se nos média designadamente em O Jornal, na Revista Visão e no Jornal de Letras, Artes & Ideias. Foi deputado. Advogado, licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, defendeu presos políticos e, aliás, foi sempre um defensor dos democratas. O júri que atribuiu este prémio por unanimidade, salientou o trajeto de JOSÉ CARLOS VASCONCELOS desde os tempos de estudante de Coimbra até hoje referindo que sempre tem sido um percurso pautando a sua intervenção pela defesa das liberdades e como promotor da nossa literatura. Autor de várias obras, recebeu diversas condecorações e, agora, este prestigiado prémio. Se me permitem, em nome do jornal O DESPERTAR, os nossos parabéns para tão ilustre protagonista da cultura portuguesa que estará para sempre ligado a Coimbra.