18 de Julho de 2024 | Coimbra
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MANUEL BONTEMPO

A linguagem vazia

6 de Novembro 2020

Os comparsas investidos em lugares de destaque usam e abusam de uma linguagem panfletária, insólita, sujeita aos instintos mais primários sem romperem com os lados da politiquice mais rasteira.

Ofende-se por trinta dinheiros. Tudo se vende… até a honra!

A linguagem é no melhor conceito o moralmente bom com a beleza do conceito, do bem e da verdade.

A linguagem que corre pelas assembleias, pelos partidos, é excêntrica, extravagante, verrinosa, pedaços da deformação psicológica de agentes mal formados.

Usar a linguagem com dados fragmentados sem deduzir as consequências quanto aos efeitos e causas é apoucar as relações humanas na conceção de ideias erróneas, andróginas e falaciosas, apressadas, portanto, cujos exercícios vocais e cogitações do pensamento são esboços de expressões imperfeitas e de atitudes, quantas vezes, condenadas pelo senso comum!

A maioria dos políticos não usa uma linguagem escorreita, limpa, embora possa traduzir no seu cultivo juízos relativos ou até absolutos, a maioria é a propaganda do partido, do “tacho”, onde a justiça social não procura os efeitos mas o bem da clientela, dos apaniguados, da classe, ficando o povo por regra numa cisterna escura.

Reivindicar sem demagogia é coisa que não existe neste país cada vez com mais corruptos, mais violento, onde o homem normal tem já uma visão escatológica do país, no tempo e no espaço.

A vida é, também, um trocar de ideias, na originalidade, pois a linguagem foi um raro dom dado por Deus, e como simples mortais temos necessidade absoluta de harmonizar a vida pelo som da palavra perfeita.

Chegámos a uma fase da vida em que o único recurso consiste num egoísmo atroz no dizer mal, na insinuação, na corrosão do carácter.

A fissura política, de certos políticos é arrancar do dia a dia o seu bem estar, mesmo no labirinto de processos judiciais num afrouxamento da personalidade que transforma esta sociedade portuguesa numa medíocre conjuntura de “aventureiros” onde poucos se salvam do naufrágio moral.

O culto da linguagem. Da língua, anda pelas ruas da amargura.

Escreve-se levianamente. Fala-se pejorativamente. A incultura anda sem vergonha pelos salões. E pelas ruas em manifestações culturais ou politizadas!

Não existe uma contestação frontal, séria, isenta do formalismo processual que possa consistir numa posição forte e dinâmica de um pluralismo ético que promova as instâncias da justiça.

A tese alimentada por uns tantos que afronta é que resolve os problemas, os conflitos, os mal entendidos, na descrição verbal e fogosa, é grosseiro erro.

A oposição não constrói, não argumenta e a teoria da justiça na prática desta sociedade dita democrática, é sempre uma questão política de caserna e de maldade contra o Estado, ou contra quem governa, sem a qualificação diferenciada para o país, faminto das adjurações e correções propostas pelo 25 de Abril.

Seria bom e necessário que houvesse independência pessoal e se acabasse com as amizades perniciosas, os compromissos dos lugares, o tráfico de influências e outras alienações e surgisse a recetividade e a adaptação assimiladora que singulariza a justiça social no combate ao desemprego, vencimentos justos para os estratos mais necessitados que vivem à míngua, a pobreza envergonhada numa cruzada de inspiração de ordem social e política, acabando com a pouca vergonha dos vencimentos chorudos e imerecidos.

Há a bem dizer, um país de vários níveis onde os mais pobres são forçados a viver desligados do bem-comum e da moral cristã.


  • Diretora: Lina Maria Vinhal

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