9 de Outubro de 2026 | Coimbra
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Pedro Falcão

Os jovens e o desemprego

9 de Outubro 2026

Talvez a maior ambição de um jovem estudante, que deseje dar continuidade aos seus estudos e desenvolver uma carreira académica, e consequente exercício de uma profissão, seja a de terminar atempadamente um curso superior, de preferência numa área sua favorita, com o intuito de, num futuro que não deseja longínquo, ingressar no mercado de trabalho, com uma profissão atraente e compensadora do esforço contínuo, sacrifícios e empenho ao longo de mais de uma dezena de anos de estudos, desde tenra idade até à juventude.

Sobretudo no ensino superior, os estudantes são motivados pelos sonhos que são muitos e por visões fantasiadas de um mundo e horizontes futuros agradáveis e sedutores, projetos também são inúmeros e as ânsias de concretizar os objetivos delineados, com vista ao sucesso, incitam a um percurso académico orientado responsavelmente. O culminar do curso é sempre, para cada um, uma etapa essencial da vida, que representa um momento inesquecível de realização pessoal e que marca também um acréscimo na maturidade e, de algum modo, representa a transição para a vida de adulto, procurando-se, de seguida, como aplicar tamanho investimento pessoal e financeiro. No entanto, o mercado de trabalho não é ainda, em Portugal, atraente e acolhedor para muitos que, desejosos de qualidade de vida e apetrechados de conhecimentos, competências e excelentes habilitações académicas, possam ter os seus desejos e finalidades para a vida, pensadas durante anos, concretizadas.

O desemprego, embora diminuindo nos últimos anos, é ainda uma trágica realidade, sobretudo para os jovens. É por isso que muitos são obrigados a emigrar procurando construir a sua vida noutras partes do mundo onde a oferta de trabalho é elevada e mais acessível e o exercício de uma profissão é compensado, assim como o esforço de uma vida, com salários ajustados e dignos de competentes profissionais. A saída do país de pessoas geniais, inteligências inexcedíveis com formação profissional, académica e científica de excelência, mas subaproveitadas e, nalguns casos, exploradas, conduz a um certo vazio intelectual e contribui, sem dúvida, para a desertificação do nosso país, não apenas em termos demográficos como também técnicos e científicos. É necessário, ainda durante o curso universitário, encaminhar os jovens estudantes para ingressarem no mercado de trabalho, proporcionando cada vez mais estágios de formação profissional, remunerados, e dando-lhes a conhecer diferentes empresas ou serviços que os possam empregar nas áreas em que se especializam.

Resta esperar que, com o desenvolvimento económico da sociedade portuguesa, que se prevê favorável, se abram novos horizontes e um futuro mais risonho para estes jovens que anseiam, junto da família e não em terras estrangeiras, exercitar profissional e livremente as suas capacidades e conhecimentos ao serviço do país que os viu nascer. A esperança nesse “novo mundo português” de oportunidades não pode esmorecer e os jovens que terminam o seu curso terão, num futuro que se advinha próximo, o seu lugar na sociedade portuguesa, contribuindo certamente, e da melhor forma, para o seu desenvolvimento económico, social, político e cultural.


  • Diretor: Lino Vinhal

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