Rainha Santa, Rainha minha;
Desces hoje ao povoado,
Imperial e serena,
P’ra ver o povo que te venera.
Tens, humildemente, os olhos postos nas rosas,
Das quais fizeste pão,
Saciando a fome dos deserdados.
Todos os anos ia ver-te a Santa Cruz,
Onde pousavas no teu andor;
Olhava-te, linda, em silêncio profundo.
Por momentos, parecia que rias,
Outros instantes parecias triste, amargurada,
Com os homens e mulheres deste mundo,
De compleição individualista e destituído de valores.
Abandonava-te com a alma redobrada.
Silêncio virtuoso e enobrecido.
Este ano não irei até lá; olho-te de longe, daqui, deste lugar,
Converso contigo, e o que me dizes Rainha?
– “Resiste, homem, resiste. Este mal que sentes o meu manto
Calará; voltarás a ver-me no meu andor. E comigo
Falarás.”
– “Assim farei minha Rainha, aguardo ver o teu manto, nas
Entranhas do meu silêncio mais profundo.
Até lá o meu bem-querer.”
(Adaptado pelo autor de outro poema por si produzido)