Eu busco-te nas coisas simples. Vê:
Na madrugada com a qual me deito,
No verso que rasguei, não sei porquê,
Na Imensidão que cabe no meu peito.
No carrossel de sonhos todo feito
E que me põe magias à mercê,
No Céu, na Casa Azul, no Casto Leito,
Nas lágrimas que a alma escreve e lê.
No teu retrato vivo na parede
Que, só de olhar, eu mato a fome e a sede,
No Vazio que é cheio de Ninguém.
Na tua mão idosa de criança
Que agarra a minha e ao som do vento dança…
– Eu busco-te nas coisas simples, Mãe!