13 de Maio de 2021 | Coimbra
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SANSÃO COELHO

104 anos do jornal O Despertar e 100 anos do Partido Comunista Português

5 de Março 2021

Na passada segunda-feira “bati à porta” do DR. FRANCISCO QUEIRÓS para nos ajudar a recordar os edifícios que em COIMBRA estiveram ligados ao PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS que vai completar amanhã 100 ANOS DE EXISTÊNCIA FORMAL. Na nossa cidade, após o 25 de ABRIL, por ação e dinamismo do DR. ALBERTO VILAÇA (insigne intelectual e advogado, autor de vários livros sobre Coimbra, colaborador das revistas Vértice e Via Latina), o PCP instalou-se na Rua da Sofia ocupando, se a memória não nos falha, dois pisos com uma extensão razoável que ofereciam boas condições de reunião e trabalho, até para as conferências de imprensa e lá estivemos em várias. Nos anos 80 o PCP teve igualmente instalações na António de Vasconcelos e desde 30 de abril de 2011 está sedeado na Adelino Veiga (nome do enorme poeta-operário) com JERÓNIMO DE SOUSA a ter estado presente. Observa-se que fiel à sua ligação fundacional ao operariado, o PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS também em Coimbra, até ao nível das instalações, esteve sempre perto dos trabalhadores. O Centenário é uma efeméride a merecer palavras especiais e a evocarmos que após a 1.ª Guerra Mundial o aumento do custo de vida e o desemprego levaram os trabalhadores a lutarem por melhores condições tendo-se assistido a um movimento grevista para alcançar esses objetivos. Após 1920, nas sedes de vários sindicatos, há importantes reuniões que contribuíram para uma clara evolução do movimento operário e a 6 de março de 1921, na sede da Associação dos Empregados de Escritório, em Lisboa, é eleita a primeira direção do PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS dando voz a um sindicalismo revolucionário e aglutinação dos seus militantes. Esta é a data que marca a fundação do PCP. Este aniversariante partido tem tido em Portugal um papel marcante como equilibrador entre várias forças, pautando-se por uma entrega permanente na defesa da classe operária, dos trabalhadores em geral e das pequenas e médias empresas. Sempre com uma verticalidade e honradez marcantes devemos ao PCP muitas conquistas de sentido progressista e, nos últimos tempos, mais uma vez ao lado do Governo quando necessário e urgente, o PCP tem evitado que forças extremas de direita prejudiquem o país. CEM ANOS QUE MERECEM OS NOSSOS PARABÉNS.

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E hoje, a maior parte desta edição de O DESPERTAR é feita sob o signo luzidio dos 104 anos deste jornal republicano nascido ali pela zona do Pátio da Inquisição a piscar um olho à Coimbra universitária – até com alguma excessiva reverência -, mas a ser a efetiva tribuna “tu-cá-tu-lá” do operariado e sindicalismo conimbricenses desde os tempos difíceis dos anos pós-implantação da República. O DESPERTAR é o único na cidade que está balizado por duas grandes pandemias. Nos seus primeiros anos socorreu muita gente com dificuldades (e foi um tempo tenebroso) foi humilíssimo ao serviço da cidade e da região, sempre ao serviço dos que sofrem, vivendo quase sempre e também com enormes dificuldades, mas com uma compreensão dos conimbricenses que o assinavam, liam e apoiavam porque era um verdadeiro e fraterno amigo com o qual sempre puderam contar. A pobreza aqui sempre se repartiu e se houve momentos de alguma folga financeira nunca foi suficiente para O DESPERTAR calçar sapatos de verniz e vestir smoking mesmo quando alguns dos seus cronistas eméritos assim se vestiram por necessário para protocolares cerimónias em que eram distinguidos.

Num tempo mais recente, O DESPERTAR, mergulhado nesta crise indómita dos média, optou por deixar cair a referência ao seu cunho matricial de republicano (não esqueceremos) abraçou em afetos as freguesias e assumiu-se, mais referencialmente, como O DESPERTAR DE COIMBRA. Concordo com esta “redundante” afirmação de ser de Coimbra porque há mais “despertar” por aí. CLARIFICA. Vetustez é algo que este jornal que já foi tri e bissemanário pode continuar a repartir. Do que lhe conheço, há mais de meio século em que nele tenho o privilégio de algo articular, O DESPERTAR, pese embora algumas mudanças compreensíveis, mantém HONRADEZ, VERTICALIDADE, ISENÇÃO, RIGOR, UMA DOSE TREMENDA DE COIMBRISMO ATÉ AO TUTANO e trata os leitores com um carinho tal que estes cada vez são mais e trazem novos leitores num exercício natural de renovação. Pegam de estaca. Só falta a O DESPERTAR vir acompanhado de música em cada edição. Hoje devíamos escutar em fundo, para além do PARABÉNS A VOCÊ (e a vocês), a BALADA DE COIMBRA do Zé Eliseu, talvez dedilhada pelo Zé Trego ou pelo Paredes Pai ou pelo Carlos Paredes Filho quando este andava de caracóis loiros, por Coimbra, e já a tocar com os Salatinas.

Parabéns aos ANIVERSARIANTES.


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