19 de Dezembro de 2018 | Coimbra
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ANTÓNIO CASTELO BRANCO

Visita guiada à exposição sobre o Mosteiro de Santa Cruz

11 de Outubro 2018

Realizou-se, a 28 de setembro, uma visita guiada à exposição que tem por tema “O Mosteiro de Santa Cruz: história, memória, marcas no território”, e que foi inaugurada em julho, no dia da cidade. Em boa hora esta iniciativa surge no tempo certo, neste tempo em que as aulas começaram. E quanto de mais valia o trabalho ali exposto não representa para as nossas escolas? Para as nossas escolas, e nelas incluo logicamente a universidade, e para todos nós, que desejosos do regresso à acalmia e à normal vida desta terra, podemos agora avaliar o que ali é testemunhado em dois espaços distintos. Um deles, para quem vem de fora para dentro, diz de um percurso que contempla a identificação de alguns edifícios “que sobrevivem no território urbano”, adaptados entretanto a fins diversos daqueles a que as telas reproduzem, ou simplesmente locais assinalados, onde outros foram derrubados.

De uma forma simplista, é o caso dos lugares onde se encontra a esquadra da Polícia e em cujo prolongamento existiu a Torre Sineira, mas também a Escola Jaime Cortesão, o Refeitório e Dormitório e o Jardim da Manga. Feito este caminho, é altura de procurar na Sala da Cidade, antiga biblioteca municipal, o complemento a todo um excelente trabalho com que nos deparamos, mercê por um lado das parcerias obtidas e por outro de todo um role de colaboradores que ali deixaram o seu indelével contributo. São oito painéis em torno da dita sala, transpostos de uma bem conseguida maquete que segundo Margarida Relvão Calmeiro abrange os 28 hectares respeitantes à Quinta de Santa Cruz e mais 3,5 hectares referentes ao espaço do Mosteiro, seus edifícios, hortas e anexos. Um trabalho que tem por fim mostrar e localizar os tais edifícios e as áreas, à data da extinção das ordens religiosas e a subsequente aquisição pela Câmara desses mesmos terrenos, a partir da qual foi possível traçar ali o novo ordenamento urbano de Coimbra, de que é exemplo a Avenida Sá da Bandeira.

Aproveitou o Presidente da Câmara, aquando da abertura da exposição, para falar do esforço que à época a autarquia teve de percorrer para adquirir este património então na posse do Estado, enquanto recordava figuras gradas da então sociedade de Coimbra, que tiveram papéis fundamentais na persecução destes objetivos. E salientou, de entre elas, o nome de Lourenço de Almeida Azevedo, que deixou em testamento a importância de que esta entidade necessitava para proceder à compra daqueles bens. Estamos em crer, pela maneira como esta exposição está concebida, que mesmo um público menos letrado conseguirá entender e avaliar o que foi o Mosteiro e bem assim o seu projeto construtivo iniciado em 1131, um objetivo que será facilmente atingível se for difundido como se impõe e se for acrescentada à simples visualização e leitura explicativa de cada um dos painéis, um acompanhamento personalizado, capaz de referenciar pormenores, contar episódios, levar a reflexões, suscitar diálogos, tirar dúvidas… Por certo, será também isso que Berta Duarte irá fazer no decurso da desejada visita. E que outras sejam agendadas, pois está ali um trabalho meritório, que carece de divulgação e empenho da cultura.


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