18 de Novembro de 2018 | Coimbra
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ANTÓNIO INÁCIO NOGUEIRA

TESTEMUNHOS. Dois Momentos de Reflexão.

2 de Novembro 2018

Primeiro Momento

Há uns anos li um texto de Paulo Tenreiro e fiquei a saber o que são “campos sociais semi-autónomos”. Entendi que são todas as “áreas da vida social com capacidade interna para produzir regras e costumes e, simultaneamente, vulneráveis às regras e decisões provenientes do espaço mais amplo que as rodeia”.

Estamos em presença de uma situação de pluralismo jurídico, dentro do próprio Estado. Assim sendo, na minha modesta opinião, a instituição militar constitui-se como um «campo social semi-autónomo» em virtude das suas funções específicas que todos conhecemos de grande riqueza conceptual (a razão de ser diferente), – uma ordem constitucional paralela em confronto com a sociedade civil.

Mas porquê toda esta verborreia teórica? Os meus leitores já perceberam. Queremos chegar ao problema de Tancos, ilustrativo de tudo o que dissemos atrás. A posição clássica das instituições militares tendentes a questionar qualquer ponto de vista que não surja do seu perímetro institucional, dá razão a todos aqueles que criticam, «acerrimamente», a atual disputa entre a polícia judiciária e a sua congénere militar, tornando o caso caricato. A prisão de elementos da polícia judiciária militar, a demissão do Ministro da Defesa e do Chefe de Estado-maior do Exército, o ambiente opaco, pérfido e desleal vivido, e, a cada dia, avolumado, as mentiras, os silêncios… «metamorfoseiam» este caso num melodrama fantástico.

O que se vive em redor de tudo o que toca o roubo das armas de Tancos é absolutamente insustentável e deplorável. Tal estado de coisas, faz-nos interrogar sobre o estado das Forças Armadas e da sua organização.

Umas forças armadas que não sabem guardar as suas armas, estão desregradas … é por isso que já se fala na conscrição e no serviço militar obrigatório!

Segundo Momento

Nos últimos tempos fomos invadidos por notícias boas, dando-nos conta de que a esperança média de vida de homens e mulheres continua a aumentar a passos largos.

Por mera casualidade, e, no dia em que saiu um desses resultados, estava a ler o livro de Yuval Harari, “Sapiens de Animais a Deuses História Breve da Humanidade” da editora Elsinore. Vertendo os olhos nele, vim a encontrar respigos da problemática em apreço, referente a épocas remotas, que resolvi transmitir aos meus leitores, para poderem constatar o salto dado pela civilização, nessa área, fruto de muitas conquistas.

Eduardo I de Inglaterra (1237-1307) e sua esposa a rainha D. Leonor, tiveram vários progenitores. «Os seus filhos usufruíam das melhores condições, dos melhores cuidados que podiam ser oferecidos na Europa medieval. Viviam em palácios, comiam tanto quanto queriam, tinham bastantes roupas quentes, lareiras bem fornecidas, a água mais limpa disponível, um Exército de criados e os melhores médicos.» Afirma Harari que a rainha deu à luz 16 crianças entre 1255 e 1284. E agora atentem: 10 dos seus 16 filhos morreram durante a infância, apenas seis sobreviveram para lá dos 11 anos e só três ultrapassaram os 40 anos. Não há dúvida que a situação mudou muito, graças a múltiplos fatores que não vamos aqui escalpelizar. E vai mudar muito mais…

Diz-nos Yuval Harari: “…os engenheiros genéticos conseguiram, recentemente, aumentar em seis vezes a esperança média de vida das minhocas. Poderão fazer o mesmo pelo homo-sapiens…”. E adianta: “… alguns académicos sérios sugerem que em 2050 alguns dos seres humanos se tornarão «amortais», não imortais, porque continuarão a poder morrer de acidentes ou outros incidentes fatais…”. Na sua ausência tornar-se-ão indefinidamente. Até.

Observação à Margem

No dia 21 de outubro, no grande auditório do Convento de São Francisco, procedeu-se ao lançamento da Antologia de Poesia Portuguesa Contemporânea, Vol X.

O autor desta crónica e colaborador de O Despertar, foi selecionado para constar dessa Antologia com um poema que verteu para o papel no ano de 2004.

Este acontecimento é uma iniciativa das Edições Planeta.


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