20 de Fevereiro de 2019 | Coimbra
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MANUEL BONTEMPO

Postal Ilustrado

1 de Fevereiro 2019

“Um velho amigo disse-nos a nossa cidade tem outra modernidade. É visitada por gente de todo o mundo. Que diferença em relação à nossa juventude”.

De facto existe outro olhar sobre a cidade, outro interesse pela nossa terra, o desejo de se percorrer a “nova modernidade”, sem esquecer, todavia, os seus atavios com o pensamento na cultura, a arte, com as suas canções, os seus trovadores, o gemer das suas guitarras.

Deixou-se a cultura livresca, fria, artificial dos doutores de ocasião ou dos mal intencionados de estar todos contra tudo em filosofias de caserna!

Há outra originalidade no comportamento do homem da nossa urbe, de estar no contexto duma sociedade aberta, no falar, no traduzir, com rara matéria prima e surge mais hodierno, mais agudo nos conceitos e para além das suas afinidades políticas ou mesmo estéticas, ou da cultura por vezes, ligada à Universidade, ou pela atmosfera de ser de Coimbra ou a uma mesologia de gostos ou interesses, é ver o homem comum uma autêntica realidade sentimental a defender a cidade universitária cerradamente embora lhe falte as promessas dos governos de Lisboa, o Metro de Superfície, o Ramal da Lousã, num desprezo flagrante que coloca ao ostracismo os anseios legítimos da cidade.

Dizia-me o velho amigo: “há um sumário de malícia em relação à nossa terra”.

É que este homem normal, ou popular se quisermos, da nossa cidade que é, por excelência, um manancial de conhecimentos ou de saber emancipou-se da nefasta tutela da Universidade, da doutorice, da curvatura vergonhosa, da estafada imagem Homem-Universidade, no seu pior abuso e escreve, opina, palestra e escreve, de vez em quando, os seus livros.

Todo o agitar modifica a própria forma de ser do homem normal da nossa cidade.

Ao percorrer, suavemente, com a minha bengala e a dilecta companhia dr.ª Adélia Drago, zelosa, incute em mim determinado sentimento de alegria ou mesmo vaidade desta linda terra ser um organismo animado e deixou há muito o facie tristonho!


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