21 de Abril de 2019 | Coimbra
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VASCO FRANCISCO

Coimbra para ser Coimbra…

1 de Fevereiro 2019

Anda a cidade envolta num reboliço de obras públicas, que continuam muitas vezes sem sentido. Não é nada de novo repetir matérias de ordenamento e reestruturação urbana e Coimbra bem precisa de se continuar a reestruturar e a restaurar. Qualquer conimbricense se orgulha da sua cidade, levantando voz de poeta para lhe honrar a história, o património material e imaterial, a cultura. A verdade é que é necessário ordenar o presente para continuar a zelar o passado. De entre opiniões e reportagens em vários títulos da imprensa regional e nacional, é vulgar poder resumir certos textos numa frase frontal como “Coimbra está velha e abandonada”. Muitos jornalistas, engenheiros, arquitetos, cidadãos, têm repetido a sua opinião sobre este assunto, expressando tão bem o seu ponto de vista, daí não aprofundar muito o tema.

Olhar Coimbra a partir de Santa Clara é captar de imediato um postal ao vivo e a cores, que tão pitoresco se parece e se leva na ideia, o mais digno retrato envolto de baladas e guitarradas, enfim de tudo o que a mítica cidade transmite, mas quem procura ver em detalhe esse postal e quem dele faz parte, acaba sempre por referir mais do que os seus “encantos”.

Não vale a pena esmiuçar o texto em exemplos, pois bem sabem do que se trata, especialmente quando se olha para as zonas mais antigas da alta e da baixa. Numa cidade que nos últimos anos tem refletido um aumento significativo de números no turismo, é importante conservar o aspeto original, mas bem conservado, é preocupante a imagem que em alguns pontos se apresenta.

Será para sempre uma cidade com as suas virtudes e singularidades únicas, mas jamais se pode ignorar tal desprezo cívico, político e burocrático que está a deixar cair parte dela. Coimbra desde sempre que apresentou uma rusticidade à sua maneira, mas queremos uma velhice saudável e preservada conferindo-lhe tal aspeto, não uma cidade a cair. É urgente não baixar os braços. Continuar a reunir, a sensibilizar e a acordar com habitantes, proprietários, administrativos, governantes e demais figuras é parte da solução, mas não tardem muito, atuem e reúnam quantas vezes for necessário, pois o vandalismo de que é alvo o património público e privado, assim como a ruína e o abandono de seculares edifícios tende a agravar-se cada vez mais.

À “obrigação” dos proprietários que vão fechando as lojas do comércio tradicional, leva a que este abandono se multiplique, vendo lojas históricas a fechar a cada dia, pois infelizmente são cada vez mais as montras forradas a papel, lojas que se fecham para sempre. Acudi-lhes quem realmente tem parte desta culpa!!

O desprezo e o abandono vai muito além do referido. A mobilidade da cidade é também ela parte da sua história, estampa do seu quotidiano. O Comboio deixou de circular para o nascente. Linhas, estações e apeadeiros abandonados, dinheiro enterrado até Serpins sem que até hoje nada se veja, no meio te tanta esperança que por vezes parece existir. Enfim, desastres de um governo, de uma região já bem abordados nestas páginas. Mas nem só do presente se pode falar, em tempos a população andou ora sobre carris, ora sobre as águas do Mondego. Não refiro claro para retomarmos a totalidade desses tempos, mas não seria atração para o visitante e para os próprios habitantes da cidade e dos arrabaldes? Porque não um elétrico ou dois a circular pela cidade, uma ou duas barcas serranas no Mondego?

Muitos seriam adeptos de tal renascimento. Tudo se foi, os elétricos estão fechados na Rua da Alegria e a única barca que se pode hoje ver está atracada no parque da cidade, à espera que a recomponham dos estragos da última tempestade.

Para que estas e tantas outras palavras venham a dar fruto é necessário investimento, bem sabemos que não é pouco, mas se gastam tantos tostões com luxúrias e obras de pouco préstimo, o importante é saber gerir e investir da melhor forma. São muitos os desmazelados destas mudanças e problemáticas, desde os ultrajes que grafitam tudo num vandalismo que revela a falta de civismo de muitos, aos governantes da capital que por vezes ignoram Coimbra, aos próprios governadores locais, enfim… Coimbra está a cair até mesmo o que é património da Humanidade grita por salvação em algumas zonas.

Desculpai-me a adaptação rabiscada em cima do joelho, mas,

Coimbra pra’ ser Coimbra

Tem muita coisa pra’ contar,

Respeitem-na e lutem por ela,

Que ainda tem muito pra’ dar.


  • Diretora: Zilda Monteiro

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